Reino Unido é o maior consumidor de roupas da Europa

MacroSector Consultores


Segundo a Associação de Reciclagem de Têxteis do Reino Unido, os britânicos usam 26,7 kg per capita de roupas novas por ano, seguidos pelos alemães, que consomem 16,7 kg; e pelos dinamarqueses, com 16,0 kg.

Para Peter Andrews, chefe de sustentabilidade do Consórcio Britânico de Varejo, o aumento do consumo de roupas, provocado pelo crescimento da população, gera atualmente menos impacto ambiental que no passado, devido às estratégias adotadas pela indústria, que privilegiam o emprego de matérias-primas sustentáveis, a fabricação de peças mais duráveis e a doação de roupas usadas.

“Sabemos o que mais precisa ser feito. Como a produção de roupas se desenvolve em um mercado globalizado, as melhores soluções para diminuir o impacto socioambiental dependerão da colaboração entre os países”, afirma Andrews.

Fonte: The Scotsman [1]

[1] Para maiores informações, ver:

https://www.scotsman.com/business/companies/retail/uk-consumes-clothes-at-fastest-rate-in-europe-1-4810182

Dólar caro funciona como ‘banho de água fria’ no comércio

Entrevista de Fabio Silveira para  Portal Varejo em Dia


A alta do dólar, agora próximo de R$ 3,90, funcionou como um banho de água fria nas projeções mais otimistas para o varejo neste ano.

Dólar mais caro significa encarecimento de produtos e insumos importados e cria um ambiente de desconfiança na economia, afetando em cheio os negócios.

E a expectativa de queda da taxa básica de juros da economia, a Selic, hoje de 6,5% ao ano, um estímulo ao consumo, já não é mais tão firme.

A análise é de Fabio Silveira, economista e sócio-diretor da MacroSector Consultores.

Por que o mercado de câmbio se mostrou mais nervoso nos últimos dias?

“O mercado não está vendo no governo de Jair Bolsonaro a capacidade necessária para discutir e, em seguida, aprovar a reforma da Previdência no Congresso”, diz Silveira.

“Se esse estresse entre o executivo e o legislativo continuar, o ritmo de atividade do país vai diminuir afetando em cheio o varejo.”

A previsão dos economistas neste trimestre é de um crescimento do varejo entre 2,5% e 3% neste ano.

Se as discussões em torno da reforma da Previdência continuarem tensas, esses números serão menores ou até negativos, de acordo com Silveira.

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Tensão pré-eleitoral e dólar caro travam os negócios

Entrevista de Fabio Silveira para o Portal Varejo em Dia


Setembro, tradicionalmente, costuma marcar o início das negociações entre representantes da indústria e do varejo com foco nas vendas para o final do ano.

O lojista programa os pedidos e, a indústria, a produção, tudo para aproveitar o melhor período de vendas do ano, o mês de dezembro.

E antes mesmo do Natal, no final de novembro, acontece a Black Friday, evento que tem tido peso cada vez maior no faturamento anual do comércio.

Neste ambiente de desemprego elevado, falta de confiança nos negócios e na economia e tensão pré-eleitoral, setembro de 2018 está sendo um mês atípico.

“A polarização absurda na política em torno das eleições presidenciais parou o comércio e, como consequência, a indústria”, diz Ronald Masijah, presidente do Sindivestuário, sindicato que reúne as confecções paulistas.

Tanto os lojistas como as confecções, diz ele, estão aguardando o resultado das eleições para planejar as vendas para o final do ano.

De janeiro a julho, as vendas do varejo de vestuário caíram 4,4% e, a produção, 3,1%.

Para Masijah, não há nada que indique uma inversão desse cenário. A estimativa é que o faturamento das confecções caia 10% neste ano na comparação com 2017.

“Os investimentos no nosso setor estão parados. Se o novo governo não estiver comprometido com as reformas que o país precisa e a economia não voltar a crescer, mais confecções vão fechar as portas”, diz.

DÓLAR CARO

No setor de eletroeletrônico, mais um motivo tem contribuído para azedar a relação entre as indústrias e os lojistas: a alta do dólar.

Esse setor trabalha com componentes importados. Se o real se desvaloriza em relação ao dólar, custa mais caro produzir televisores, geladeiras, fogões.

“Não há falta de produtos nas nossas lojas, mas por várias vezes as negociações com os fornecedores foram interrompidas por conta de preços”, afirma José Domingos Alves, supervisor geral da Lojas Cem.

O cenário econômico e político no Brasil, de acordo com ele, nunca esteve tão preocupante. A Lojas Cem, com receita anual de R$ 5,3 bilhões, porém, decidiu manter os investimentos.

Com 260 lojas, a rede deve fechar 2018 com 11 pontos-de- venda a mais do que no ano passado. A previsão é abrir mais 10 a 12 lojas em 2019.

O foco da rede, que pertence à família Dalla Vecchia, é crescer nos Estados em que já atua: São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro.

O empobrecimento da população brasileira por conta crise afetou a rede. A inadimplência (atrasos no pagamento das prestações acima de 60 dias) deu um salto de 20% no ultimo ano.

A venda a prazo, bancada pela própria empresa, representa cerca de 70% do faturamento da empresa.

Esse é um problema que só se resolve, de acordo com Alves, com a volta do crescimento da economia e a redução do desemprego.

Não tem jeito, o varejo deve esperar por um Natal nada efusivo, de acordo com Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.

“Os preços dos produtos com componentes importados estarão mais caros. O que pode compensar a alta de preços é o crédito, que ainda cresce, e a pequena melhora no emprego e na renda”, diz ele.

A equipe de economistas da MacroSector prevê crescimento de 2,8% a 3% para o varejo neste ano em relação ao ano passado. Números que podem ser revistos dependendo do resultado das eleições.

Comércio cresce, mas consumidor está mais seletivo

Entrevista de Fabio Silveira para o Portal Varejo Em Dia.


Encher o tanque do carro ou o carrinho do supermercado? Comprar roupas, eletrodomésticos ou remédios? Não tem jeito, o brasileiro está mais seletivo na hora de gastar.

A inflação em alta (em junho o IPCA chegou a 1,26%, o maior desde 1995 para o mês), a falta de confiança na melhora da economia e a perspectiva de renda e salário se recuperarem em ritmo lento explicam parte desse comportamento do brasileiro.

Os dados do varejo de maio, divulgados pelo IBGE, revelam o impacto da compra mais “seletiva” do consumidor em todo o comércio.

Os resultados desiguais entre os oito grupos analisados na pesquisa mensal de vendas do setor refletem como diferentes segmentos do varejo reagiram à paralisação dos caminhoneiros, absorveram os efeitos da alta do dólar e enfrentaram a escolha mais rigorosa dos consumidores.

Cinco deles tiveram resultados negativos enquanto três se mantiveram no azul na comparação dos resultados em maio deste ano sobre igual mês de 2017.

Enquanto a venda de combustíveis caiu 7,9%, a de produtos vendidos em super e hipermercados cresceu 8,5%.

A venda de eletrodomésticos recuou 3,3%, assim como a de tecidos, roupas e calçados, com queda de 3,6%.

No grupo de itens farmacêuticos, perfumaria e higiene, as vendas avançaram 4,5%.

“O consumidor está claramente fazendo escolhas para gastar”, diz o economista Fabio Silveira, sócio-diretor da consultoria MacroSector.

Com esse cenário, o Banco Central reviu suas projeções de consumo em seu relatório de junho e cortou de 3% para 2,1% a previsão de alta para os gastos das famílias no ano.

“A pequena melhora nos salários neste ano e no nível de pessoal ocupado, e o crédito em patamar um pouco maior neste ano do que em 2017 está fazendo com que o consumidor despeje um pouco mais de recursos no comércio”, afirma.

Na média dos oito segmentos pesquisados, as vendas do comércio subiram 2,7% em maio sobre o mesmo mês de 2017.

A consultoria prevê crescimento do comércio para 2,5% neste ano – um ponto percentual abaixo do que inicialmente projetava no início de 2018. No ano passado, o setor cresceu 2,1%.

“A greve de 11 dias dos caminhoneiros em maio desorganizou o sistema produtivo e a distribuição de mercadorias afetando o abastecimento no país. Mas o câmbio no patamar de R$ 3,80 a R$ 3,90 teve forte impacto no preço de vários insumos, principalmente no de combustíveis e explica em parte até a queda no consumo”, diz Silveira.

Por região, houve aumento no volume de vendas em 20 das 27 unidades do país, segundo os dados do IBGE. Os destaques positivos foram para Roraima (11%), Amazonas (9,3%) e Rio Grande do Norte (9%).

Na contramão,  Distrito Federal (-2,5%) e Mato Grosso (-2,1%) tiveram  as taxas negativas mais elevadas .

Para o diretor da MacroSector, o nível relativamente controlado de inadimplência do consumidor deve evitar desempenho mais fraco do comércio varejista neste ano e sustentar as vendas.

IMPACTO

A CNC (Confederação Nacional do Comércio) também revisou para baixo a projeção de crescimento do varejo ampliado, categoria que considera dez segmentos do comércio, incluindo a venda de veículos/autopeças e de material de construção.

O que fez a entidade rever sua expectativa, de 5% para 4,8%, foi o impacto da paralisação dos caminhoneiros em maio. O setor teve queda nas vendas de 4,9% no mês, o que representou perda de R$ 7,4 bilhões.

Foi a primeira queda do ano e o pior resultado para meses de maio em mais de 15 anos de levantamentos da série, segundo o economista Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da CNC.

“Embora as significativas quedas provocadas pelas paralisações de maio estejam restritas ao terceiro bimestre de 2018, dificilmente o ritmo de vendas verificado nos cinco primeiros meses do ano (6,3% ante o período de janeiro a maio de 2017) se manterá no segundo semestre”, afirma Bentes.

Inflação alta deve enfraquecer poder de barganha do varejo

Entrevista de Fabio Silveira para o Portal Varejo Em Dia.


É difícil encontrar comerciantes otimistas em um país com 13,7 milhões de desempregados, incertezas políticas, carga tributária elevada e com as maiores taxas de juros do mundo.

Se não está fácil faturar nesse ambiente, outro indicador, divulgado neste mês, sugere que os lojistas vão ter que rebolar ainda mais para vender neste segundo semestre.

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de junho deste ano, de 1,26%, foi o maior desde 1995 para o mês de junho, quando bateu em 2,26%.

Uma inflação deste tamanho, como já se viu no passado, corrói demais o rendimento das famílias, de tal modo que fica impossível manter o padrão de consumo.

Nos últimos 12 meses, com os preços mais controlados, o rendimento das famílias teve aumento real de cerca de 2%. Uma inflação ao redor de 1% destrói metade do que se ganhou em um ano.

Se o cliente não compra, o comerciante não fatura e não compra da indústria. A economia cresce menos, gerando um círculo que provoca depressão da atividade econômica.

Para Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, o IPCA de junho revelou uma ruptura do padrão da inflação do país, o que é ruim para toda a economia.

Nos últimos 12 meses, a inflação estava na faixa de 0,30% a 0,35% ao mês. Em junho do ano passado, o IPCA foi negativo – deflação de 0,23%.

“Parte do mercado entende que essa alta de 1,26% do IPCA em junho não se repete em julho. Pode não se repetir, mas também não cai para os padrões dos últimos 12 meses”, diz.

Para Silveira, a inflação de julho deve ficar entre 0,6% e 0,7%, o que é considerada ainda muito alta, como reflexo do represamento de preços dos atacados durante a crise.

“1% de inflação ao mês corrói os salários de uma forma absurda”, afirma.

Se persistir, a inflação alta vai ter impacto significativo no PIB (Produto Interno Bruto).

No início do ano, os economistas mais otimistas projetavam crescimento de até 3% para o PIB neste ano. “Agora se fala em 1% para 2018 e 2,5% para 2019”, diz Silveira.

Alimentos e bebidas, transportes e habitação são três dos setores que estão mais pressionando a inflação. E são justamente esses com maior impacto no orçamento das famílias.

QUEDA DE BRAÇO

Com esse cenário, as negociações de preços entre as indústrias e os lojistas têm tudo para endurecer neste semestre, de acordo com Silveira.

De um lado existe a pressão das fábricas para repassar os reajustes dos combustíveis, da energia elétrica e de produtos que sofrem a influência do dólar, que está mais caro.

Na outra ponta está o lojista lutando para evitar reajustes de preços, até porque sabe que só consegue movimento maior na loja quando reduz os preços.

O fato é que, numa economia enfraquecida, geralmente, diz o economista, o varejo perde força.

“As negociações vão depender do setor e do produto. Se é algo essencial e há muitos fornecedores, o poder de barganha do varejo aumenta. Caso contrário, a força fica do lado da indústria”, diz ele.

Nelson Tranquez, sócio-diretor da Loony Jeans e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas do Bom Retiro, diz que as confecções já sentem a pressão para a alta de preços das tecelagens.

As fábricas de tecidos aumentaram em 6% a 8% os preços neste ano. Há casos de reajustes na casa de dois dígitos.

“São poucas as indústrias de jeans com qualidade no Brasil. As confecções tentam buscar alternativas, mas nem sempre conseguem achar bons fornecedores”, diz ele.

O que deve se observar numa situação como esta de inflação alta, no caso dos alimentos, é o processo de downgrading de marcas. Isto é, a troca de marcas mais caras por mais baratas.

Para Silveira, o cenário econômico hoje no país, de qualquer forma, não é tão tenebroso como o dos últimos anos da crise, quando indústrias e fábricas tiveram de fechar as portas.

“No início do ano, os indicadores apontavam para uma melhora da economia, só que este horizonte ficou menos animador.”

CUSTOS E RECEITA

Para driblar esse cenário, que pode também piorar com a instabilidade política em véspera de eleições, os lojistas têm de ter sob controle custos e receita, ser criativo, ter bem claro os desejos do público que deseja atingir.

“Não adianta vender de tudo para agradar todo o mundo. É preciso identificar preferencias em alimentos, vestuário, eletrônicos, e estar atento ao que acontece no mundo, não apenas no mercado nacional”.

Para Silveira, os lojistas brasileiros são acomodados e pouco mobilizados para cobrarem, por exemplo, maior concorrência no mercado de crédito para o consumidor.

Ficam as dicas!