Indústria de confecção se mantém estagnada na África

MacroSector Consultores


A competitividade da indústria africana de produtos têxteis e confecções é de tal modo restrita, devido ao tímido avanço tecnológico e à falta de investimentos, que o setor tem grande dificuldade de concorrer até com instituições que fazem doações de roupas usadas para aqueles países.

O fato é que os produtores africanos não têm conseguido agregar valor às fibras ao longo da cadeia de suprimento, como no caso, entre outras matérias-primas, do algodão cru, em que o continente exporta grande quantidade, mas que é pouco vendido à indústria têxtil local.

Segundo Sun Ruizhe, vice-presidente do Conselho Nacional de Têxteis e Confecções da China, para desenvolver a indústria no continente será necessário haver maior integração vertical da cadeia de produção e um alinhamento com as tendências do mercado, em constante transformação, adaptando-se a cada nicho.

A África tem boas condições para se inserir competitivamente no mundo têxtil, mas sua indústria depende de mais investimentos em automatização e em infraestrutura de comunicação, para ampliar o comércio eletrônico, em particular.

Fonte: Just-Style [1]

[1] Para maiores informações, ver:

https://www.just-style.com/analysis/technology-inertia-is-stalling-africas-clothing-industry_id134494.aspx

Tensão pré-eleitoral e dólar caro travam os negócios

Entrevista de Fabio Silveira para o Portal Varejo em Dia


Setembro, tradicionalmente, costuma marcar o início das negociações entre representantes da indústria e do varejo com foco nas vendas para o final do ano.

O lojista programa os pedidos e, a indústria, a produção, tudo para aproveitar o melhor período de vendas do ano, o mês de dezembro.

E antes mesmo do Natal, no final de novembro, acontece a Black Friday, evento que tem tido peso cada vez maior no faturamento anual do comércio.

Neste ambiente de desemprego elevado, falta de confiança nos negócios e na economia e tensão pré-eleitoral, setembro de 2018 está sendo um mês atípico.

“A polarização absurda na política em torno das eleições presidenciais parou o comércio e, como consequência, a indústria”, diz Ronald Masijah, presidente do Sindivestuário, sindicato que reúne as confecções paulistas.

Tanto os lojistas como as confecções, diz ele, estão aguardando o resultado das eleições para planejar as vendas para o final do ano.

De janeiro a julho, as vendas do varejo de vestuário caíram 4,4% e, a produção, 3,1%.

Para Masijah, não há nada que indique uma inversão desse cenário. A estimativa é que o faturamento das confecções caia 10% neste ano na comparação com 2017.

“Os investimentos no nosso setor estão parados. Se o novo governo não estiver comprometido com as reformas que o país precisa e a economia não voltar a crescer, mais confecções vão fechar as portas”, diz.

DÓLAR CARO

No setor de eletroeletrônico, mais um motivo tem contribuído para azedar a relação entre as indústrias e os lojistas: a alta do dólar.

Esse setor trabalha com componentes importados. Se o real se desvaloriza em relação ao dólar, custa mais caro produzir televisores, geladeiras, fogões.

“Não há falta de produtos nas nossas lojas, mas por várias vezes as negociações com os fornecedores foram interrompidas por conta de preços”, afirma José Domingos Alves, supervisor geral da Lojas Cem.

O cenário econômico e político no Brasil, de acordo com ele, nunca esteve tão preocupante. A Lojas Cem, com receita anual de R$ 5,3 bilhões, porém, decidiu manter os investimentos.

Com 260 lojas, a rede deve fechar 2018 com 11 pontos-de- venda a mais do que no ano passado. A previsão é abrir mais 10 a 12 lojas em 2019.

O foco da rede, que pertence à família Dalla Vecchia, é crescer nos Estados em que já atua: São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro.

O empobrecimento da população brasileira por conta crise afetou a rede. A inadimplência (atrasos no pagamento das prestações acima de 60 dias) deu um salto de 20% no ultimo ano.

A venda a prazo, bancada pela própria empresa, representa cerca de 70% do faturamento da empresa.

Esse é um problema que só se resolve, de acordo com Alves, com a volta do crescimento da economia e a redução do desemprego.

Não tem jeito, o varejo deve esperar por um Natal nada efusivo, de acordo com Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.

“Os preços dos produtos com componentes importados estarão mais caros. O que pode compensar a alta de preços é o crédito, que ainda cresce, e a pequena melhora no emprego e na renda”, diz ele.

A equipe de economistas da MacroSector prevê crescimento de 2,8% a 3% para o varejo neste ano em relação ao ano passado. Números que podem ser revistos dependendo do resultado das eleições.

“Em 2018 avançam indústria, varejo,salários e emprego”, diz MacroSector

Por Ângela Bittencourt – Valor Econômico (21/02/2018)

Indústria e varejo em expansão, aumento da massa real de rendimento com melhora na oferta de emprego e salários, juro real na faixa de 2,2% ao ano, inflação em alta moderada mas abaixo da meta, quadro externo bastante favorável e câmbio levemente pressionado por um ambiente de crise política, desequilíbrio fiscal e alta do juro nos Estados Unidos compõem o cenário econômico da MacroSector para 2018. A consultoria divulgou hoje suas projeções para os principais indicadores econômicos e financeiros. A perspectiva para o Brasil é positiva.
Fábio Silveira, sócio e diretor da MacroSector, responsável pelo cenário, projeta PIB em expansão de 2,8% neste ano, após avanço estimado em 1% em 2017. “O crescimento mais firme esperado para 2018 será impulsionado pelo desempenho favorável das exportações e das contas externas, aumento do salário real, redução do custo de financiamento com elevação gradual do crédito no mercado interno e aumento de 5,7% da receita real das exportações brasileiras, para R$ 584,2 bilhões, melhorando a rentabilidade das cadeias produtivas mais voltadas ao mercado externo”, afirma o economista que aponta como fatores negativos ao cenário econômico o aumento moderado do investimento e a retração do gasto público.
No detalhe, a MacroSector prevê aumento da produção industrial de 4% na comparação com expansão de 2,5% em 2017, recuperando-se de três anos seguidos de queda. O Índice de Produção Industrial caiu 3% em 2014, 8,2% em 2015 e 6,4% em 2016.
As vendas no varejo, também em variação anual, deve subir 3% neste ano, ante 2,1% em 2017 e queda de 6,3% em 2016 e 4,3% em 2015.
Em volume, os Serviços devem crescer 2% neste ano na sequência de três anos de queda: 2,8% em 2017, 5% em 2016 e 3,6% em 2015.