Fabio Silveira acertou na sua projeção da Selic de 13% para janeiro de 2017

Entrevista com o sócio-diretor Fabio Silveira, na coluna Acertadores do Valor, em 11/01/2017

 

O especialista em preços Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, acertou ao projetar Selic de 13% para janeiro de 2017 e não pretende rever as projeções de 12% para dezembro de 2017 e 10,50% para dezembro de 2018. “Vamos esperar um pouco. A chegada do Trump à Casa Branca não traz bons presságios. Deve haver turbulência internacional à frente. Os movimentos do presidente americano eleito tendem a ser erráticos”, diz o economista. “Os investidores devem ficar nervosos. Ganha força a ideia de que o preço do petróleo tende a subir mais um pouco, pressionando a inflação americana. E, no plano interno, a variação média mensal do IPCA deve girar em torno de 0,35% nos próximos meses.”

O economista Fábio Silveira não vê elementos suficientes para que o Copom mantenha o corte de 0,75 ponto nas próximas reuniões. “O ritmo do ajuste da Selic tende a diminuir para 0,50 ponto, já no próximo encontro do Comitê, em fevereiro”, finaliza.

 

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Juro real alto ainda é trava na retomada da atividade industrial e dos serviços

Entrevista com Antonio Lacerda, sócio-diretor da MacroSector, por Paula Salati para o DCI em 11/01/2017

 

 

 

Na avaliação da consultoria MacroSector, mesmo com cortes na Selic, custos reais e taxa de capital de giro dificultam recuperação. Na contramão, agropecuária pode crescer até 3% em 2017.

Os juros altos ainda devem dificultar uma recuperação mais robusta dos serviços e da indústria neste ano. Por outro lado, a expectativa de crescimento da safra de grãos pode garantir uma expansão de até 3% da agropecuária.

Apesar da expectativa de que o Banco Central (BC) dê continuidade à redução da taxa básica de juros (Selic) hoje, o economista da MacroSector Consultores, Antonio Corrêa de Lacerda, diz que o alto patamar do juro real (diferença entre a inflação e a Selic) e a elevada taxa de capital de giro ainda são obstáculos para a saúde financeira das empresas de serviços e industriais que costumam captar recursos para melhorar fluxo de caixa ou para fazer aportes.

“Não adianta a Selic cair se os juros reais continuarem muito altos. Este é o balizador mais importante das outras taxas [para captar empréstimos]”, afirma Lacerda. “O juro real está elevado porque a inflação está caindo mais rapidamente que a Selic, tendência que deve se prolongar ao longo do ano”, acrescenta o economista.

Sem a queda do juro real e com a inadimplência das empresas batendo recorde, fica mais difícil, portanto, encorajar os bancos a oferecerem taxas de capital de giro mais vantajosas às companhias. Segundo dados mais atualizados do BC, a taxa de empréstimos para fluxo de caixa estava alta em novembro de 2016 (24,7%), apesar de menor do que em janeiro do mesmo ano (29,2%). A inadimplência das empresas, por sua vez, está em seu maior patamar (5,7%) em dois anos.

De acordo com projeções de instituições financeiras ouvidas pelo BC no relatório Focus, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve chegar a 6,35% em 2016 e 4,81% neste ano. O indicador do ano passado também será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela manhã. E no final da tarde, a taxa Selic será definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Atualmente, os juros básicos estão em 13,75% ao ano, e podem terminar 2017 em 10,25%.

Ociosidade

Todo o cenário traçado por Lacerda deve fazer com que a indústria cresça somente 0,5% neste ano, após a possibilidade de cair 3,5% em 2016. “Outro componente que impede uma retomada mais robusta da indústria no Brasil é a sua alta capacidade ociosa”, completa ele, que, por outro lado, indica que o câmbio e a recuperação dos preços de minério de ferro são pontos favoráveis para a indústria doméstica.

A mediana das projeções de instituições ouvidas pelo BC também apontam para uma alta de apenas 0,55% do PIB industrial em 2017. O setor deve registrar a sua última queda trimestral na comparação anual neste primeiro trimestre (-0,7%), passando a crescer entre os meses de abril e junho deste ano (+0,5).

Serviços deve registrar a sua terceira queda anual consecutiva em 2017, afirma a MacroSector, estimando retração de 0,1% para o setor. Já o Focus prevê alta de apenas 0,03% para o segmento em 2017. O boletim aponta, ainda, que os serviços devem cair trimestralmente na comparação anual até junho (-1,04% no primeiro trimestre e -0,04% no segundo), passando a crescer no período entre os meses de julho e setembro (+0,5). “Além dos juros altos, o alto nível de desemprego e a continuidade da queda da renda são outros fatores que devem fazer com que a recuperação dos serviços seja mais tardia do que a dos demais setores”, diz Lacerda.

Na contramão dos demais setores, a agropecuária pode crescer até 3,3% neste ano, segundo a mediana das projeções do Focus. Já para a MacroSector, o segmento tende a registrar expansão de 1% no mesmo período. O movimento ascendente será puxado pelo crescimento da safra brasileira de grãos. Segundo o IBGE, esta deve avançar 16,1% em 2017 ante 2016, com todas as regiões do País apresentando aumento na produção: Norte (13,4%), Nordeste (73%), Sudeste (11,1%), Sul (5,8%) e Centro-Oeste (20,5%).

 

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Investimento direto sofre menos com crise e deve somar US$ 70 bi

Entrevista com Antonio Lacerda, sócio-diretor da MacroSector, por Tainara Machado para o Valor em 09/01/2017

 

Apesar da forte queda dos investimentos e do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos dois anos, um indicador da economia brasileira se manteve surpreendentemente forte. O Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 75 bilhões em 2015 e acumulou, nos 12 meses encerrados em novembro de 2016, ingresso de US$ 78,8 bilhões, segundo dados do Banco Central. Para 2017, 15 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data estimam, em média, que o IDP vai somar US$ 70 bilhões, financiando com folga o déficit em conta corrente do país. Mais otimista, o BC prevê o ingresso de US$ 75 bilhões este ano.

 

Há alguns fatores que explicam porque o estrangeiro manteve investimentos no país mesmo diante de uma recessão que dura mais de dois anos. Outros países emergentes também enfrentam dificuldades na atração de investimentos, lembra Antonio Corrêa de Lacerda, para quem faltam destinos muito mais atrativos. “A China é um lugar óbvio, mas há um superinvestimento lá. Muitas empresas já investiram muito e querem e precisam diversificar”, afirma. A Rússia tem tantos problemas quanto o Brasil e a Índia, mesmo que interessante, apresenta dificuldades religiosas, culturais e linguísticas, diz.

 

Lacerda acredita que há motivos para imaginar que o IDP permaneça em torno de US$ 70 bilhões também em 2017. Em sua avaliação, alguns fatores conjunturais sustentam o investimento produtivo em níveis elevados, como a desvalorização da taxa de câmbio, que deixou as companhias brasileiras “baratas”, especialmente para operações de fusões e aquisição. A taxa elevada de juros no país também ajuda, já que incentiva a antecipação dos empréstimos intercompanhia mesmo quando os projetos de investimento não estão na iminência de sair do papel.

 

Por fim, “Vale lembrar que o investidor produtivo leva em conta o cenário dos próximos 10 anos, ou mais, o que torna relativamente pouco importante a crise atual”.

 

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