Receita de grãos do Brasil deve crescer R$23,7 bi em 2017

Portal DuPont Pioneer, por Laís Martins, em 01/12/2016

 

A consultoria MacroSector estimou receita de 216,8 bilhões de reais para a produção de grãos no Brasil em 2017, um aumento de 23,7 bilhões de reais em comparação com 2016, com impulso do maior faturamento do milho e da soja, cujas safras devem se recuperar após a seca deste ano.

A MacroSector estima a safra de milho de 2017 em 72,5 milhões de toneladas, ante 63,6 milhões de toneladas em 2016. A produção do cereal deverá render 55,7 bilhões de reais, alta de 12 bilhões de reais em comparação com 2016.

A soja, cuja produção de 2017 foi estimada em 99,4 milhões de toneladas, terá alta de 8,6 bilhões de reais na receita de 2017, para 130,4 bilhões de reais.

A consultoria também vê crescimento na safra e na receita do algodão, arroz e feijão em 2017.

O trigo foi o único grão cuja previsão de receita registrou queda em 2017 ante 2016, em uma retração de 200 milhões de reais, para 4,4 bilhões de reais, com os preços mais baixos do cereal.

A produção de trigo em 2017 foi projetada acima da projeção de 2016, em 6,7 milhões de toneladas, ante 6,3 milhões na safra anterior.

A MacroSector também estimou as receitas do café e da cana-de-açúcar em alta em comparação com o faturamento do ano anterior.

No café, a projeção é para receita de 22,4 bilhões de reais, 3,3 bilhões acima do faturamento projetado para 2016.

Na cana, deve haver uma alta de 5,2 bilhões de reais em 2017, para 62,1 bilhões de reais.

 

Veja a notícia clicando aqui

Retomada pra valer ainda distante

(publicado em O Estado de S. Paulo, 17/09/2016, p. B-2)

Antonio Correa de Lacerda*

Embora haja alguns indicadores denotem inversão de sinal negativo, para estável ou ligeiramente positivo, a retomada mais firma da atividade econômica brasileira ainda está distante. O que favorece estatisticamente a reversão da longa trajetória de queda é a base atual de comparação é extremamente baixa. Isso, porque desde o último trimestre de 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) vem apresentando resultados fracos, o que fez erodir a base.

Os indicadores mais recentes também não são animadores. O PIB do segundo trimestre do ano recuou 0,6%, comparativamente ao trimestre anterior e 4,9% nos doze meses acumulados até junho. Vários são os fatores que restringem a retomada da economia. O desemprego elevado, próximo de 11% da População Economicamente Ativa (PEA), com tendência de alta. O salário médio real segue em queda e deve fechar o ano com -3,5%, implicando em uma queda da massa salarial da ordem de 6%. O nível de confiança do consumidor continua retraído, o que junto com o encarecimento do crédito desestimula as decisões de compras.

Os elevados juros oferecidos nas aplicações financeiras, cuja base é a Selic que há uma ano permanece em 14,25%, incentivam essas operações, em detrimento do empreendimento. O custo do financiamento muito acima da rentabilidade esperada nas atividades produtivas também não animam o investimento. Em muitos segmentos, especialmente na indústria, há ainda elevada capacidade ociosa, o que tende a retardas as decisões de novas ampliações.

Infelizmente, o discurso oficial de que apenas a expectativa de queda da inflação e sinalização do distante ajuste fiscal sejam suficientes para a retomada da confiança, que traria o crescimento por si só, não se sustenta. Falta uma estratégia de politica econômica que propicie e induza as condições para o crescimento.

A própria politica cambial tem colocado um elemento de incerteza aos tomadores de decisão. Depois de uma forte desvalorização até o início deste ano quando superou os R$ 4,00 por US$, o real vem se revalorizando para níveis próximos de 3,20. Esta volatilidade não é boa para quem toma decisões de produção, importação, exportação e de investimentos. A desvalorização havia provocado o início de um processo gradual de substituição de importações pela produção doméstica, com o aumento da competitividade da a indústria local. Alguns investimentos necessários à localização da produção foram iniciados.

Da mesma forma, as exportações, especialmente de manufaturados vinham sendo estimuladas. O mercado doméstico retraído e a melhora da rentabilidade das vendas externas vinham fazendo com que mais empresas buscassem clientes no exterior.

Mas, tudo isso são movimentos de médio e longo prazo e que requerem uma moeda competitiva, ou seja, desvalorizada e estável. Bem ao contrário do que vem ocorrendo. A elevada taxa de juros local vem provocando o ingresso de capitais especulativos e isso pressiona para a valorização do real.

Assim, muito dos movimentos iniciais observados na estrutura da produção estão sendo descontinuados. Além disso, os demais fatores de competitividade sistêmica continuam desfavoráveis. É o caso da burocracia excessiva, do custo de infraestrutura e logística, tributação que não estimula a agregação de valor. Tudo isso ainda vai adiar o impulso para uma retomada mais consistente e robusta.

Enquanto o quadro descrito não for revertido, continuaremos, lamentavelmente, reféns do curto prazo e da especulação, em contraponto à atividade produtiva. O problema é que é impossível para uma Nação com as características da brasileira, como elevado desemprego, crescimento da população ativa, ainda expressiva concentração de renda, se desenvolver sem estimular a atividade produtiva, na indústria, na agropecuária e nos serviços.

*professor-doutor da PUC-SP, associado da Fundação Dom Cabral e sócio-diretor da MacroSector Consultores

Bayer e Monsanto: concentração e investimentos

Fabio Silveira ¹
Francisco Cunha ²

As reais consequências da aquisição da Monsanto pela Bayer para produtores e consumidores ainda não estão claras, e vai levar algum tempo para serem avaliadas em todos os seus aspectos. Por enquanto, ainda são preliminares – e até divergentes – as impressões possíveis acerca da compra da gigante de sementes norte-americana Monsanto pela companhia de produtos químicos e saúde, a alemã Bayer, por US$ 66 bilhões.

Por um lado, a maior concentração da oferta desses insumos pode preocupar, pois eleva o risco de oligopolização e de aumento do custo rural. Mas, por outro lado, uma operação dessa envergadura financeira tende a resultar no incremento de investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Isto favorece o surgimento de sementes mais produtivas e agroquímicos mais eficientes no controle de pragas, permitindo, assim, a ampliação da produtividade e o barateamento do custo de produção agrícola.

O negócio – que chegou a ser chamado pelos opositores de “casamento dos infernos” -, anunciado na semana passada, ainda terá de ser aprovado pelos órgãos de defesa da concorrência em todos os países nos quais as duas gigantes atuam. No caso do Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O acordo prevê multa de US$ 2 bilhões para a Bayer desistir da aquisição, se a união com a Monsanto for rejeitada em algum mercado relevante.

Embora tenha impressionado pelo tamanho das duas empresas envolvidas, criando a maior grupo de sementes e agroquímicos do mundo, a compra da Monsanto pela Bayer é o ápice de um movimento iniciado, inclusive no Brasil, há algum tempo, por médias e pequenas companhias do setor.

Em fevereiro de 2015, o fundo de investimentos Platform Specialty Products Corporation adquiriu a japonesa Arysta Life Science, que tem presença marcante no Brasil no mercado de defensivos para hortifrugranjeiros. Esta foi a terceira aquisição da Platform em agroquímicos, após o Grupo Agriphar, em outubro de 2014; e a Chemtura AgroSolutions, em novembro de 2014. No mesmo ano, outra global, a norte-americana FMC Corporation comprou a Cheminova, de origem dinamarquesa, que atuava na área de genéricos de defensivos agrícolas.

Entre as gigantes do setor, a tendência de união começou no ano passado, quando a Monsanto tentou, sem sucesso, adquirir a suíça Syngenta. Esse movimento teve várias consequências. Alguns meses depois, as americanas Dow Chemical e DuPont anunciaram a fusão, que deve se concretizar em 2017, formando um grupo de US$ 130 bilhões; e os chineses levaram a Syngenta por 43 bilhões de euros. Desse modo, a Monsanto ficou solteira no baile e era até natural que fosse cobiçada pela Bayer. Esses três grupos, com olho no futuro, detêm cerca de 70% do mercado mundial de produtos agroquímicos.

Motivos para a fusão ou aquisição dessas empresas existem de sobra. A começar por uma característica histórica do capitalismo: o esforço de realização de economia de escala visando elevar a rentabilidade. O segundo motivo é a complementaridade. Enquanto a Monsanto tem força e liderança na biotecnologia, especialmente em sementes e eventos transgênicos, mas detendo apenas o Gliphosato como mais importante princípio ativo, acaba sendo procurada pela Bayer, que tem situação totalmente inversa e complementar á Monsanto. Ou seja, é mais forte na química, mas atrasada na biotecnologia.

De 2008 a 2013, estima-se que o mercado internacional de sementes geneticamente modificadas (OGM) dobrou seu faturamento, enquanto o mercado de agroquímicos só avançou 25% no mesmo período.

O regionalismo é outro motivo da aliança entre Bayer e Monsanto. A primeira lidera na Europa e particularmente na Alemanha, enquanto o mesmo ocorre com a Monsanto nos Estados Unidos. Cabe lembrar que a Europa importa comida, enquanto as Américas são grandes exportadoras de alimentos e carnes.

De forma geral, a Europa é bastante conservadora e reticente à inovação e aos transgênicos, usando o princípio de análise de perigo, ao inverso dos EUA, onde prevalece a análise de risco. Por exemplo, nos últimos anos, a BASF retirou seus laboratórios de pesquisa e desenvolvimento e levou-os para os EUA, onde avanços tecnológicos e inovações são bem-vindos.

Por fim, ao se juntar com a Bayer, a Monsanto ganha em imagem. A Bayer é reconhecida junto à opinião pública mundial como empresa farmacêutica: basta lembrar a aspirina e a tradicional assinatura/slogan – Se é Bayer é bom !! …. Já a Monsanto tem imagem focada somente em agribusiness e, apesar de seu esforço internacional em comunicação, enfrenta muitas polêmicas em decorrência da aposta nos transgênicos.

Por essas razões, a concentração nesse mercado deve continuar. A alemã BASF provavelmente vai querer comprar alguém, ou será comprada.

 

[1] Sócio-Diretor da MacroSector Consultores

[2] Engenheiro Agrônomo formado pela ESALQ-USP. Especialista em fertilizantes.