Investimento direto sofre menos com crise e deve somar US$ 70 bi

Entrevista com Antonio Lacerda, sócio-diretor da MacroSector, por Tainara Machado para o Valor em 09/01/2017

 

Apesar da forte queda dos investimentos e do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos dois anos, um indicador da economia brasileira se manteve surpreendentemente forte. O Investimento Direto no País (IDP) somou US$ 75 bilhões em 2015 e acumulou, nos 12 meses encerrados em novembro de 2016, ingresso de US$ 78,8 bilhões, segundo dados do Banco Central. Para 2017, 15 instituições financeiras e consultorias ouvidas pelo Valor Data estimam, em média, que o IDP vai somar US$ 70 bilhões, financiando com folga o déficit em conta corrente do país. Mais otimista, o BC prevê o ingresso de US$ 75 bilhões este ano.

 

Há alguns fatores que explicam porque o estrangeiro manteve investimentos no país mesmo diante de uma recessão que dura mais de dois anos. Outros países emergentes também enfrentam dificuldades na atração de investimentos, lembra Antonio Corrêa de Lacerda, para quem faltam destinos muito mais atrativos. “A China é um lugar óbvio, mas há um superinvestimento lá. Muitas empresas já investiram muito e querem e precisam diversificar”, afirma. A Rússia tem tantos problemas quanto o Brasil e a Índia, mesmo que interessante, apresenta dificuldades religiosas, culturais e linguísticas, diz.

 

Lacerda acredita que há motivos para imaginar que o IDP permaneça em torno de US$ 70 bilhões também em 2017. Em sua avaliação, alguns fatores conjunturais sustentam o investimento produtivo em níveis elevados, como a desvalorização da taxa de câmbio, que deixou as companhias brasileiras “baratas”, especialmente para operações de fusões e aquisição. A taxa elevada de juros no país também ajuda, já que incentiva a antecipação dos empréstimos intercompanhia mesmo quando os projetos de investimento não estão na iminência de sair do papel.

 

Por fim, “Vale lembrar que o investidor produtivo leva em conta o cenário dos próximos 10 anos, ou mais, o que torna relativamente pouco importante a crise atual”.

 

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Safra maior traz perspectiva positiva para o comércio exterior

Por Marcelo Loureiro do Canal O Globo, com o sócio-diretor da MacroSector, Fabio Silveira em 10/01/2017

 

Em tempos de crise, a produção agrícola aparece como um alento. A previsão de crescimento de 15,3% na safra de grãos em 2017 é uma das boas notícias para a economia no ano. Embora a agricultura tenha um impacto reduzido no cálculo do PIB, o agronegócio movimenta outros setores da economia e deve garantir a entrada de dinheiro externo no país.

A consultoria MacroSector estima que o valor da produção de todas as lavouras vai saltar 11% em 2017, em reais. Entre as culturas mais relevantes, o milho terá expansão de 27%, para R$ 55,7 bi; a previsão para a soja é de alta de 7%, para R$ 130,4 bi. Sócio-diretor da consultoria, Fabio Silveira explica que esse crescimento embala uma cadeia diversificada. Milho, por exemplo, é usado para alimentar frangos e porcos. A cana de açúcar vira etanol e açúcar. A produção maior demanda mais serviços, por exemplo, de transportes. Essas conexões formam o agronegócio, que movimenta algo como 23% do PIB.

— A agricultura é estratégica para qualquer país, embora não gere tantos empregos como a indústria ou os serviços. O setor tem uma enorme geração de receitas em outras moedas. Isso defende o país das turbulências externas. A função é especialmente relevante neste momento. A indústria brasileira tem graves problemas de competitividade e o mundo passa por um período de incertezas com a mudança de governo nos EUA — diz Silveira.

Dos 10 produtos mais exportados pelo Brasil no ano passado, sete eram agrícolas. No topo da lista estava a soja, com embarques de US$ 19,3 bi, o equivalente a 10% de tudo o que o país vendeu ao exterior no ano. Em quarto veio a cana de açúcar (US$ 8,2 bi), seguida pela carne de frango (US$ 5,9 bi).

Veja no gráfico da MacroSector a evolução das safras de diferentes produtos nos últimos anos, em volume e em valores.

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