Dobra a intenção de gastos dos brasileiros

Fátima Fernandes em Varejo em Dia


A intenção de compra dos brasileiros dobrou neste início de 2020, na comparação com igual período do ano passado.

O Instituto Brasileiro de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) chegou a essa conclusão a partir de informações divulgadas por consumidores em redes sociais, como Youtube, Facebook e Tweeter.

De nove categorias analisadas, apenas uma, a de eletrodomésticos, apresentou queda na intenção de compra em relação ao ano passado.

As que registraram crescimento foram: cama, mesa e banho, produtos para pet, cine e foto, eletroeletrônicos, artigos para esporte, informática, móveis e telefonia.

O aumento da massa real de rendimento dos trabalhadores e a maior oferta de crédito explicam a disposição do brasileiro para gastar, de acordo com Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores.

A massa real de rendimento dos trabalhadores brasileiros subiu cerca de 2,5% no passado e a oferta de crédito, 11%, de acordo com ele.

“O desemprego continua alto (12 milhões de pessoas, aproximadamente), mas outras 93 milhões de pessoas estão ocupadas”, diz Silveira.

Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR, cita ainda a redução de juros e o aumento nos prazos de financiamento como estimuladores do consumo.

De acordo com o instituto, as vendas do varejo devem crescer 5,8% no primeiro trimestre de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na comparação com o quarto trimestre de 2019, a projeção é de alta de 1%.

“Embora o desemprego ainda seja elevado, os juros menores e os prazos mais longos colocam o país numa situação mais favorável para o consumo.”

“O impacto do Coronavírus nos mercados mundiais preocupa, e pode ter reflexo também por aqui.”

Indicadores favorecem o varejo em 2020

Fátima Fernandes em Varejo em Dia


A expectativa de redução da taxa real de juros, expansão do volume de crédito ao consumidor e de queda da taxa de desemprego resulta em um cenário mais positivo para o varejo em 2020.

Para a equipe da MacroSector Consultores, o volume de vendas do varejo deve subir 1,4% neste ano e 2,3% em 2020.

Em setembro de 2019, o volume de vendas do comércio varejista aumentou 1,2% sobre agosto, na série com ajuste sazonal, de acordo com o IBGE.

Para Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector, “trata-se de um resultado satisfatório”, já que, no mesmo mês, houve avanço de 2,1% em relação a setembro de 2018, na série sem ajuste sazonal.

Nos últimos 12 meses, as vendas do setor subiram 1,5%, o que significa um desempenho pior do que o ocorrido em igual período terminado em setembro de 2018, quando o varejo cresceu 2,8%.

As perspectivas para o setor são positivas também, diz ele, porque é esperada uma redução da taxa de inadimplência do consumidor, que já está diminuindo.

“Neste momento, os juros reais estão negativos, o que favorece o consumo ao longo dos próximos meses”, diz Silveira.

A elevação de 1,2% das vendas em setembro foi liderada pelos seguintes segmentos: móveis e eletrodomésticos  (+ 6,6%), tecidos, vestuário e calçados (+ 4,0%), outros artigos de uso pessoal e doméstico” (+ 2,7%), combustíveis e lubrificantes” (+ 1,2%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos” (+ 0,6) e livros, jornais, revistas e papelarias” (+ 0,6%).

O setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação registrou queda de 2% e o de hipermercados e supermercados ficou praticamente estável (+ 0,1%).

As vendas do varejo ampliado, que incluem também o segmento de veículos, motos, partes e peças e material de construção, aumentaram 0,9% em comparação com agosto, na série com ajuste sazonal.

Na comparação com setembro de 2018, este indicador subiu 4,3% e, nos últimos 12 meses, 3,8%, de acordo com o IBGE.

Riachuelo: ‘desafio é pensar negócio de forma digital’

Fátima Fernandes em Varejo em Dia


Até o final deste ano, cerca de 30 lojas da Riachuelo de São Paulo vão oferecer aos clientes a possibilidade de pagar uma compra diretamente com um vendedor.

O PDV mobile, software capaz de reunir informações sobre produtos e processar pagamentos por meio de smartphones e ou tablets, tira o consumidor de filas para chegar aos caixas.

Aproximadamente um terço das 319 lojas da rede espalhadas pelo Brasil já possui armários inteligentes, os chamados lockers, em inglês.

Funciona assim: o cliente que compra pelo e-commerce recebe um SMS com um código. Ao chegar à loja, ele se dirige ao locker e retira o produto, sem precisar falar com um atendente.

Neste momento, a rede testa em 15 lojas três kits diferentes de etiquetas RFID (Radio- Frequency Identification, em inglês) para mensurar os ganhos da tecnologia.

Essa tecnologia, que combina hardware, software e etiqueta costurada nas peças, possibilita melhor controle de estoques e torna mais ágil o processo de atendimento no caixa.

Com um faturamento anual perto de R$ 9 bilhões, a Riachuelo, um dos maiores players do varejo de confecções do Brasil, segue à risca o desejo do consumidor mais conectado.

“Observamos mudanças na forma do cliente se relacionar com as marcas, buscando mais atendimento online integrado com lojas físicas”, diz Oswaldo Nunes, presidente da rede, fundada em 1947.

Os desafios para uma das mais tradicionais redes de lojas de confecção do país, diz ele, não são poucos.

“A transformação digital é um grande desafio para todas as companhias. Não envolve apenas a jornada do cliente com os pontos de contato com a marca, mas também os processos internos da empresa, que precisam ser redesenhados, pensados num modelo mais digital”, afirma.

A tecnologia, diz ele, precisa ser adicionada ao varejo online e ao varejo físico. E os produtos precisam ser bons, estar coordenados com a moda e ter preços competitivos.

“Como pensar os negócios cada vez mais de forma tecnológica e digital, considerando quais problemas que o cliente quer que sejam resolvidos por meio da tecnologia disponível.”

A Riachuelo tem aproximadamente 43 mil funcionários, dos quais 12 mil trabalham na Guararapes, empresa do grupo, fabricante de confecções para a rede.

É a operação de varejo e os centros de distribuição que concentram a maior parte dos empregados. Eis outro desafio citado por Nunes: ter sempre os funcionários treinados.

“O varejo continua sendo feito de pessoas comprando e vendendo. Neste ano, conseguimos que cada colaborador tivesse 120 horas de treinamento”, diz.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista com Oswaldo Nunes para o site varejoemdia.com.

CONECTIVIDADE

O grande desafio de todas as empresas e de todos os setores é usar a tecnologia para fazer evoluir os negócios e transformar os seus modelos de negócios.

A conectividade proporciona cada vez mais uma experiência digital boa para o cliente, mais experiência, mais comodidade. Essas são as vantagens do nosso modelo de negócio.

E-COMMERCE

O nosso entendimento é que o mercado online de varejo vai continuar crescendo.

Varejo de moda online ainda tem participação pequena, da ordem de 5%, mas cresce a taxas maiores do que o físico.

A gente nota que o consumidor busca cada vez atendimento online e em todos os canais de forma integrada.

O físico e o online  precisam coexistir para trazer mais conveniência e comodidade para o cliente.

A jornada do cliente hoje não é mais linear.

Pode iniciar no online, buscar informações sobre a reputação de uma marca, comparar produtos, preços e, depois, de acordo com a conveniência, fechar o negócio  no mundo físico.

A proposta de valor da marca está materializada, concretizada, no mundo físico, onde o consumidor pode tocar e experimentar os produtos, no nosso modelo de negócio.

E vice-versa. Às vezes, a jornada de compra começa na loja, onde o cliente toca o produto, prova a roupa, sai da loja e fecha o negócio em casa no online.

O nosso e-commerce tem dois anos e meio e apresenta taxa de crescimento três a quatro vezes mais do que a média do mercado de varejo online de moda.

O perfil do nosso comprador online é o mesmo do mundo físico, com faixa de idade entre 18 e 35 anos, principalmente.

CLICA E RETIRA

O nosso e-commerce está em processo de integração com meio físico em 100 lojas.

Mais de 35% dos pedidos feitos no e-commerce são retirados nas lojas físicas. Os preços dos produtos são os mesmos em todos os canais.

ARTIGOS PARA A CASA

Desde o ano passado, a companhia vinha se provocando sobre segmentos especializados com alto potencial de crescimento que pudessem apoiar a expansão nos próximos anos.

Enxergamos a oportunidade de combinar a força que temos nos têxteis para o lar, como artigos de cama e banho, com novas categorias das linhas mesa e servir e decoração.

Quando a Guararapes adquiriu a Riachuelo, em 1979, a participação de tecidos e de artigos de cama, mesa e banho era grande, depois ampliamos o vestuário.

Pesquisas mostraram que o consumidor vê a Riachuelo como uma marca mais elástica.

Fizemos um piloto em loja no shopping Morumbi com produtos para a casa e uma integração maior entre os canais online e físico, oferecendo uma experiência um pouco diferenciada para o cliente e oportunidade de pilotar um novo formato, que chamamos de Casa Riachuelo.

São negócios com pistas diferentes, com características de risco e retorno diferentes. Ambos atendem as nossas teses de investimento.

 AÇÕES

Estamos evoluindo nas coleções, na exposição dos produtos e na política de distribuição.

65% das coleções feminina, masculina e infantil são produzidas na Guararapes, 10% comprados de fornecedores locais e 25% importados da Ásia.

Nós temos DNA de moda, que vai além da simples roupa. Acreditamos no poder transformador da moda na vida da pessoas, seja pela inclusão ou forma de expressão.

Toda a semana o mix de produtos das lojas se renova. Caminhões visitam boa parte das lojas de três a quatro vezes por semana, na média.

ROUPA USADA

Venda de roupa usada (como está fazendo a Macy´s e outras redes nos EUA) não está na nossa agenda.

Acreditamos que, no futuro, as empresas serão mais digitais e cada vez mais preocupadas com a sustentabilidade de  seus negócios.

É uma forma de contribuir para a natureza, para um mundo melhor, buscando não só respeitar a diversidade, a inclusão, tratando todos igualmente, mas também buscando reduzir o impacto de sua atividade no meio ambiente.

PERSPECTIVAS

Nós estamos otimistas com os sinais de recuperação da economia.

Sabemos que a melhora da economia será gradual, até um pouco aquém do que o mercado esperava no final de 2018.

Mas esse crescimento relativamente pequeno do PIB (Produto Interno Bruto) tem mais qualidade porque é protagonizado pela iniciativa privada.

É ela que tem puxado o crescimento, uma vez que o Estado brasileiro não tem espaço fiscal para dirigir a economia.

A gente presta a atenção nos indicadores que podem favorecer o aumento da confiança das famílias e, consequentemente, o aumento do consumo das famílias, como inflação baixa e bem controlada, que aumenta o poder de compra.

Há uma disposição do sistema financeiro de conceder mais crédito, principalmente para itens de mais alto valor, com taxas de juros menores.

Nós estamos nos concentrando em fazer ajustes importantes na operação, principalmente melhorar o abastecimento e o mix das lojas. Começamos este processo em maio deste ano e  já trouxe melhores resultados de vendas em mesmas lojas desde julho.

No último trimestre terminado em setembro, o crescimento nominal de vendas foi de 5,4%. Esse ritmo deve se manter para a Black Friday, final do ano e 2020.

Uma reflexão sobre a lambança na economia

Entrevista de Fabio Silveira para o Portal Varejo Em Dia.


A economia brasileira começou 2018 em recuperação, mas sofreu uma derrapada a partir do segundo trimestre.

As incertezas em relação ao futuro do país pioraram quando o Banco Central (BC) sinalizou que os juros iriam cair e, dias depois, decidiu manter a Selic em 6,5% ao ano.

A decisão da máxima autoridade monetária do país assustou os empresários, especialmente os mais graúdos, gerando um desconforto maior no mercado.

E aí veio a greve dos caminhoneiros, que parou o país, e uma desvalorização mais acentuada do real em relação ao dólar.

Mais: este é um ano de eleições para presidente da República, e há uma grande incerteza em relação à capacidade dos candidatos de colocar o país nos trilhos.

Para Fabio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, os fatos citados acima somados a uma taxa de câmbio nos patamares atuais, de R$ 3,70 a R$ 3,80 para cada dólar, frearam a economia.

Esse cenário conturbado, diz ele, deve perdurar no segundo semestre deste ano e em 2019. O varejo deve fechar 2018 com crescimento de 2,3% a 2,7%, no máximo.

“A curva é de recuperação, mas moderada. O crédito tem crescido, assim como o rendimento real do trabalhador, mas nada para deixar todo mundo eufórico.”

Entre mortes e feridos, diz ele, os feridos estão vivos, o que não deixa de ser um ponto positivo para o país.

Veja abaixo a reflexão do economista Fábio Silveira sobre o momento atual.

Não existe uma convergência grande em relação aos candidatos à presidência da República.

Há uma desconfiança política acentuada quanto à capacidade dos atuais candidatos de levar a bom termo a superação da crise política pela qual passa o país.

Isso criou um ambiente adverso do ponto de vista econômico e político.

O eleitorado não se sente representado pelos candidatos que estão postos à mesa.

Mas o Brasil é isso, e sempre foi uma economia muito influenciada por eventos de curto prazo, muito voláteis em certos aspectos. Esta aí a taxa de câmbio para não me deixar mentir.

Acho que, como no passado, nós vamos superar esse horizonte desfavorável, mesmo que ainda permaneçam várias contradições e indefinições.

Quantos aos preços dos combustíveis, fretes, transportes de carga, é logico que isso terá um custo.

E o custo dessa nova lambança brasileira será um crescimento econômico menor do que o previsto há dois meses.

Na avaliação de nossa equipe, o PIB deve crescer este ano 1,8%, e não mais 2,8% como o estimado no início do ano.

Mas a taxa de crescimento do PIB já vinha perdendo um pouco de fôlego com o passar dos meses.

Mas aí ocorrerem esses eventos, a fala complicada da direção do BC e a greve dos caminhoneiros.

Havia também dúvida se os Estados Unidos iriam ganhar fôlego. E estão ganhando.

Os juros tendem a subir nos EUA, pressionando a taxa de câmbio aqui no Brasil para patamares próximos de R$ 3,8, R$ 3,9 e R$ 4.

A expectativa para o comércio é menos positiva do que a feita em janeiro. Deve crescer entre 2,3% e 2,7%. No começo do ano, a previsão era de alta próxima de 3%.

É um crescimento fraco, modesto. 2019 pode ser um ano um pouco melhor, com o comércio crescendo 2,5%.

Não é uma melhora substancial, mas é um horizonte de algum avanço, com evolução um pouco lenta do crédito.

É o que é possível esperar neste momento para a economia com tantos obstáculos a serem superados, como a redução do desequilíbrio fiscal, o déficit primário elevado.

Teremos uma modesta elevação dos juros, que deve chegar a 8% nos próximos meses.

A taxa de juro básica vai subir e também as taxas para os consumidores.

Não vai chegar a patamares de 2017, de 13% a 14% ao ano, mas aquele horizonte de terminar 2018 com taxa de juros de 6%, 6,25% e 6,5% ficou para trás.

Vamos operar em dois anos com juros de 8% a 8,5% ao ano.

Ainda é um patamar baixo para o padrão brasileiro, mas é uma taxa ainda cara, pesada, quando se compara com a de outros mercados internacionais de crédito.

Nos Estados Unidos, a taxa está próxima de 1% ao ano. Na Europa, de 2%. Na Rússia, de 5%, como base de comparação.

Burocracia menor de bancos atrai produtores.

trajetória de queda na taxa básica de juros (Selic), aliada à maior competição entre os bancos, cria um ambiente confortável para o produtor tomar crédito rural, segundo especialistas ouvidos pelo Broadcast Agro. “Caminhamos para um custo menor de financiamento agrícola embasado pelos sucessivos cortes na Selic. Até mesmo se houver uma mudança nas decisões do Banco Central e os juros passarem a subir, isso não deve frear a concorrência já instalada entre as instituições financeiras”, afirmou Fábio Silveira, sócio da consultoria MacroSector.

Clique e acesse a reportagem completa do jornal O Estado de São Paulo.