Riachuelo: ‘desafio é pensar negócio de forma digital’

Fátima Bernardes


Até o final deste ano, cerca de 30 lojas da Riachuelo de São Paulo vão oferecer aos clientes a possibilidade de pagar uma compra diretamente com um vendedor.

O PDV mobile, software capaz de reunir informações sobre produtos e processar pagamentos por meio de smartphones e ou tablets, tira o consumidor de filas para chegar aos caixas.

Aproximadamente um terço das 319 lojas da rede espalhadas pelo Brasil já possui armários inteligentes, os chamados lockers, em inglês.

Funciona assim: o cliente que compra pelo e-commerce recebe um SMS com um código. Ao chegar à loja, ele se dirige ao locker e retira o produto, sem precisar falar com um atendente.

Neste momento, a rede testa em 15 lojas três kits diferentes de etiquetas RFID (Radio- Frequency Identification, em inglês) para mensurar os ganhos da tecnologia.

Essa tecnologia, que combina hardware, software e etiqueta costurada nas peças, possibilita melhor controle de estoques e torna mais ágil o processo de atendimento no caixa.

Com um faturamento anual perto de R$ 9 bilhões, a Riachuelo, um dos maiores players do varejo de confecções do Brasil, segue à risca o desejo do consumidor mais conectado.

“Observamos mudanças na forma do cliente se relacionar com as marcas, buscando mais atendimento online integrado com lojas físicas”, diz Oswaldo Nunes, presidente da rede, fundada em 1947.

Os desafios para uma das mais tradicionais redes de lojas de confecção do país, diz ele, não são poucos.

“A transformação digital é um grande desafio para todas as companhias. Não envolve apenas a jornada do cliente com os pontos de contato com a marca, mas também os processos internos da empresa, que precisam ser redesenhados, pensados num modelo mais digital”, afirma.

A tecnologia, diz ele, precisa ser adicionada ao varejo online e ao varejo físico. E os produtos precisam ser bons, estar coordenados com a moda e ter preços competitivos.

“Como pensar os negócios cada vez mais de forma tecnológica e digital, considerando quais problemas que o cliente quer que sejam resolvidos por meio da tecnologia disponível.”

A Riachuelo tem aproximadamente 43 mil funcionários, dos quais 12 mil trabalham na Guararapes, empresa do grupo, fabricante de confecções para a rede.

É a operação de varejo e os centros de distribuição que concentram a maior parte dos empregados. Eis outro desafio citado por Nunes: ter sempre os funcionários treinados.

“O varejo continua sendo feito de pessoas comprando e vendendo. Neste ano, conseguimos que cada colaborador tivesse 120 horas de treinamento”, diz.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista com Oswaldo Nunes para o site varejoemdia.com.

CONECTIVIDADE

O grande desafio de todas as empresas e de todos os setores é usar a tecnologia para fazer evoluir os negócios e transformar os seus modelos de negócios.

A conectividade proporciona cada vez mais uma experiência digital boa para o cliente, mais experiência, mais comodidade. Essas são as vantagens do nosso modelo de negócio.

E-COMMERCE

O nosso entendimento é que o mercado online de varejo vai continuar crescendo.

Varejo de moda online ainda tem participação pequena, da ordem de 5%, mas cresce a taxas maiores do que o físico.

A gente nota que o consumidor busca cada vez atendimento online e em todos os canais de forma integrada.

O físico e o online  precisam coexistir para trazer mais conveniência e comodidade para o cliente.

A jornada do cliente hoje não é mais linear.

Pode iniciar no online, buscar informações sobre a reputação de uma marca, comparar produtos, preços e, depois, de acordo com a conveniência, fechar o negócio  no mundo físico.

A proposta de valor da marca está materializada, concretizada, no mundo físico, onde o consumidor pode tocar e experimentar os produtos, no nosso modelo de negócio.

E vice-versa. Às vezes, a jornada de compra começa na loja, onde o cliente toca o produto, prova a roupa, sai da loja e fecha o negócio em casa no online.

O nosso e-commerce tem dois anos e meio e apresenta taxa de crescimento três a quatro vezes mais do que a média do mercado de varejo online de moda.

O perfil do nosso comprador online é o mesmo do mundo físico, com faixa de idade entre 18 e 35 anos, principalmente.

CLICA E RETIRA

O nosso e-commerce está em processo de integração com meio físico em 100 lojas.

Mais de 35% dos pedidos feitos no e-commerce são retirados nas lojas físicas. Os preços dos produtos são os mesmos em todos os canais.

ARTIGOS PARA A CASA

Desde o ano passado, a companhia vinha se provocando sobre segmentos especializados com alto potencial de crescimento que pudessem apoiar a expansão nos próximos anos.

Enxergamos a oportunidade de combinar a força que temos nos têxteis para o lar, como artigos de cama e banho, com novas categorias das linhas mesa e servir e decoração.

Quando a Guararapes adquiriu a Riachuelo, em 1979, a participação de tecidos e de artigos de cama, mesa e banho era grande, depois ampliamos o vestuário.

Pesquisas mostraram que o consumidor vê a Riachuelo como uma marca mais elástica.

Fizemos um piloto em loja no shopping Morumbi com produtos para a casa e uma integração maior entre os canais online e físico, oferecendo uma experiência um pouco diferenciada para o cliente e oportunidade de pilotar um novo formato, que chamamos de Casa Riachuelo.

São negócios com pistas diferentes, com características de risco e retorno diferentes. Ambos atendem as nossas teses de investimento.

 AÇÕES

Estamos evoluindo nas coleções, na exposição dos produtos e na política de distribuição.

65% das coleções feminina, masculina e infantil são produzidas na Guararapes, 10% comprados de fornecedores locais e 25% importados da Ásia.

Nós temos DNA de moda, que vai além da simples roupa. Acreditamos no poder transformador da moda na vida da pessoas, seja pela inclusão ou forma de expressão.

Toda a semana o mix de produtos das lojas se renova. Caminhões visitam boa parte das lojas de três a quatro vezes por semana, na média.

ROUPA USADA

Venda de roupa usada (como está fazendo a Macy´s e outras redes nos EUA) não está na nossa agenda.

Acreditamos que, no futuro, as empresas serão mais digitais e cada vez mais preocupadas com a sustentabilidade de  seus negócios.

É uma forma de contribuir para a natureza, para um mundo melhor, buscando não só respeitar a diversidade, a inclusão, tratando todos igualmente, mas também buscando reduzir o impacto de sua atividade no meio ambiente.

PERSPECTIVAS

Nós estamos otimistas com os sinais de recuperação da economia.

Sabemos que a melhora da economia será gradual, até um pouco aquém do que o mercado esperava no final de 2018.

Mas esse crescimento relativamente pequeno do PIB (Produto Interno Bruto) tem mais qualidade porque é protagonizado pela iniciativa privada.

É ela que tem puxado o crescimento, uma vez que o Estado brasileiro não tem espaço fiscal para dirigir a economia.

A gente presta a atenção nos indicadores que podem favorecer o aumento da confiança das famílias e, consequentemente, o aumento do consumo das famílias, como inflação baixa e bem controlada, que aumenta o poder de compra.

Há uma disposição do sistema financeiro de conceder mais crédito, principalmente para itens de mais alto valor, com taxas de juros menores.

Nós estamos nos concentrando em fazer ajustes importantes na operação, principalmente melhorar o abastecimento e o mix das lojas. Começamos este processo em maio deste ano e  já trouxe melhores resultados de vendas em mesmas lojas desde julho.

No último trimestre terminado em setembro, o crescimento nominal de vendas foi de 5,4%. Esse ritmo deve se manter para a Black Friday, final do ano e 2020.

Fonte: Varejo em Dia [1]

Mercado de trabalho: perspectiva segue favorável

Fabio Silveira
Ana Hope


Em setembro, houve a geração líquida de 157,2 mil empregos formais no país, segundo o CAGED, mantendo o mercado de trabalho em trajetória positiva no terceiro trimestre. O bom resultado de setembro reforça o movimento de ampliação de vagas já observado em agosto e julho (125,9 mil e 48,9 mil empregos, respectivamente); e supera a marca verificada em igual mês de 2018 (151,0 mil postos de trabalho).

Desse modo, nos nove primeiros meses de 2019, houve a criação de 761,8 mil empregos, ou seja, 6% a mais do que em igual período do ano passado. E, nos últimos doze meses terminados em setembro, houve a contratação de 548,3 mil pessoas, em termos líquidos, indo além do observado no período Out2017-Set2018, quando foram gerados 459,2 mil postos de trabalho.

 

A expansão de vagas em setembro foi liderada pelo setor de serviços, que criou 64,5 mil empregos formais, devido, em grande medida, à ampliação do crédito à pessoa física e da massa real de rendimento ao longo de 2019.

Outro setor com relevante contribuição para o saldo positivo de setembro foi a indústria de transformação, que gerou 42,2 mil postos de trabalho, por causa do maior dinamismo, sobretudo, do segmento de alimentos e bebidas, que criou 32,1 mil vagas, em resposta também à elevação do volume de financiamento e à melhora da renda das famílias na economia brasileira.

Cabe destacar ainda a evolução da construção civil, que procura ensaiar alguma recuperação. Em setembro, este setor, cujo potencial de empregabilidade é grande, gerou 18,3 mil empregos, ou seja, 47% acima do mesmo mês de 2018.

Para os próximos meses, a expectativa é que o mercado brasileiro de trabalho continue reagindo favoravelmente, devido à queda de juros havida no país neste ano, o que tende a levar a geração líquida de emprego a beneficiar: a) 560 mil pessoas no fechamento do ano de 2019; e b) 630 mil pessoas, nos últimos doze meses terminados em junho de 2020.

Por outro lado, três fatores seguirão sendo adversos para o crescimento futuro de produto e emprego no Brasil: a) a nebulosidade em torno das discussões sobre a Reforma Tributária no Congresso Nacional; b) o baixo fôlego da indústria local, que ainda opera com grande ociosidade; e c) as incertezas associadas à guerra comercial EUA-China, que podem prejudicar, ainda mais, as exportações brasileiras em 2020.

 

Cenário positivo para a soja em 2020 vem se confirmando

Márcia Dietrich e Fabio Silveira


No último dia 4 de outubro, o IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) divulgou a segunda estimativa para a safra de soja 2019 / 2020 no Mato Grosso, estado líder na produção da oleaginosa no país, apontando para uma produção de 33,0 milhões t, isto é, 1,6% a mais do que na safra anterior (e 0,6% acima da primeira estimativa). Tal previsão de crescimento reforça a expectativa favorável que hoje permeia o mercado brasileiro do grão para a colheita do próximo ano.

Os dados do primeiro levantamento realizado pelo instituto, em junho de 2019, projetavam uma área total de 9,7 milhões de ha a serem semeados no estado, o que representava um aumento de 0,59% em comparação com a área da safra 2018 / 2019. Naquele momento, o IMEA indicava que este seria o menor avanço já registrado na série histórica dos últimos dez anos. Tal estimativa indicava maior cautela dos produtores, pois a cotação da soja, então, apenas começava a dar sinais de recuperação após a forte queda em abril e maio, provocada pelas incertezas associadas à guerra comercial EUA-China.

Em relação à produtividade, a primeira estimativa do IMEA era de 56,3 sc / ha, significando uma evolução de 0,43% em relação à da safra anterior. Assim, em junho, a produção de soja no estado foi estimada em 32,8 milhões t., ficando 1% acima da temporada anterior.

A estimativa mais recente do instituto é que, na safra 2019 / 2020, a área de soja do MT totalize 9,78 milhões de ha, isto é, cresça 1,14% sobre a safra 2018 / 2019 (ou 110,0 mil ha). É possível notar o impacto da conversão de áreas de pastagem em áreas agrícolas na ampliação da área semeada no Mato Grosso, principalmente na parte norte do estado, onde a pecuária vem perdendo espaço para a agricultura, devido à maior rentabilidade apresentada por esta última.

De acordo com o boletim mais recente do IMEA, a produtividade média das lavouras deverá se manter em 56,3 sc / ha. Neste contexto, a produção para a safra 2019 / 2020 está projetada em 33 milhões de t., representando um incremento de 0,55% em relação ao primeiro levantamento.

Produção e área cultivada de soja no MT nos últimos 10 anos.

 

 

Preços e condições climáticas favoráveis

No dia 7 de outubro, em relatório divulgado pela MacroSector Consultores, nos últimos sessenta dias, o preço doméstico da soja em grão subiu 13%, em resposta à: (i) valorização de 8% do produto no mercado externo (atingindo US$ 9,2 / bu), em face da diminuição do estoque global na safra 19 / 20; e (ii) alta de 7,5% da taxa de câmbio, que alcançou a cotação de R$ 4,16 / US$ no início deste mês. A maior probabilidade de aumento das margens do sojicultor significa um incentivo para a expansão da área plantada do grão no Brasil.

Além do estímulo relativo aos preços, atualizações meteorológicas em diversas regiões agrícolas do país – divulgadas por entidades especializadas -, indicam a ocorrência de chuvas. As áreas afetadas formam uma faixa que vai desde o sul de Minas até o noroeste do Mato Grosso, tendo alcançado nos últimos dias a parte do sul de Goiás e o leste do Mato Grosso. Na semana do dia 12 de outubro, o índice pluviométrico acumulou 70 milímetros nas regiões da faixa favorecida por essas condições. Por outro lado, nos estados da Região Sul, um padrão mais seco é observado, permitindo o avanço do plantio da safra de verão em Santa Catarina e partes do Paraná.

Caso tais condições sejam confirmadas, o avanço do plantio da safra 2019 / 2020 deverá ganhar ritmo nas próximas semanas, uma vez que apresenta algum atraso quando comparado ao ano passado. Apenas para ilustrar, na segunda semana de outubro, a semeadura de soja no Mato Grosso avançou 5 pontos percentuais, totalizando 6,7% da área total estimada. Neste mesmo período do ano passado, este percentual era de 12,6%.