A vitória custosa da Sra. Merkel e a pouco provável proposta tributária do Sr. Trump: A política volta a dominar a semana

Por: Erik Sardain (*), Mestre

(*) Analista responsável pelo relatório.


A política novamente causou surpresa, desta vez na Alemanha. Apesar da Sra. Merkel permanecer no posto de Chanceler Alemã pelo quarto período, o seu espaço de manobras sofreu uma redução. O partido SPD decidiu não entraria em uma grande coalizão entre a CSU/CDU, os Democratas Livres e o Partido Verde. A surpresa veio do placar obtido pelo partido de extrema direita AfD, que deve atuar como um lembrete de que o populismo não morreu. As ambiciosas reformas europeias propostas pelo Presidente Francês, que precisam do apoio da Alemanha serão provavelmente reduzidos. Enquanto isso, os mercados parecem acreditar, (mas será que realmente acreditam?) que a administração Trump passará seu plano de reforma tributária. Apesar do fato da proposta ser vaga, os riscos são de que se traduziria em um déficit orçamentário maior e, portanto é pouco provável que obtenha aprovação no Congresso sem emendas significativas. Por sorte, a economia global continua a ir bem. Vamos esperar que os políticos de todos os países não desarrumem isso. 

• A política conseguiu surpreender novamente, desta vez na Alemanha. Apesar da Sra. Merkel ter ganho um quarto mandado como Chanceler, sua autoridade foi enfraquecida. Com 32,9% dos votos, o CDU/CSU perdeu 8,6% ante as eleições passadas, enquanto o SPD perdeu 5,2% dos votos caindo para 20,5%. O ganhador das eleições foi o partido de extrema direita Alternativ fur Deutschland (AfD), que com 12,6% dos votos passou a ser a terceira força no novo Parlamento. Apesar da provável coalizão com os Democratas Livres e com o Partido Verde – como o SPD decidiu contra uma grande coalizão- a Sra. Merkel perde parte do espaço que tinha para definir reformas, primordialmente relacionadas às instituições europeias.

• A confiança na economia da zona do euro aumentou mais do que o esperado em setembro, com o índice de confiança do consumidor e da indústria aumentando para 113,0 de 111,9 em agosto, o nível mais alto em uma década. A região do euro deve expandir a 1,7% ao ano este ano e a 1,8% ao ano no próximo ano, de acordo com as últimas estimativas da Comissão. O BCE espera um crescimento ainda maior em 2017, de 2,2%, enquanto também projeta uma expansão de 1,8% no próximo ano.


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• Apesar da força da economia, a inflação não voltou a subir em setembro na zona do euro, permanecendo inalterada em 1,5% a.a., com o núcleo da inflação  – excluindo-se itens voláteis como alimentos, energia e tabaco – enfraquecendo para 1,1% de 1,2% em agosto. Estes dados estão bem abaixo da meta do BCE e serão importantes para os legisladores do BCE quando estes tiverem que decidir, em 26 de outubro, sobre recuar ou não nas compras de títulos em 2018. A força do euro também está tendo um impacto negativo através da redução da inflação importada.

• Nos Estados Unidos, o Presidente Trump destacou seu plano para um programa de redução de impostos, tanto para empresas como para indivíduos. As alíquotas de imposto das corporações devem ser reduzidas de uma média em torno de 35% para 20% e as faixas cobradas de indivíduos devem ser reduzidas para três, 12%, 25% e 35%. Porém, os detalhes são escassos e reduções menores podem se traduzir em pouca mudança para as famílias de classe média. A nosso ver, este plano é muito hipotético em relação a sua realização, pois se traduziria em um maior déficit orçamentário e, portanto com pouca probabilidade de ser aprovado com facilidade pelo Congresso. Mesmo assim, o dólar americano subiu com força com a notícia.

A nosso ver, o BCE permanecerá cauteloso em relação a sua política monetária, com qualquer anúncio de redução na aquisição de títulos sendo amenizada por declarações “dovish”. Nos Estados Unidos, aumentam as apostas de que a reunião do FED de dezembro decidirá por uma alta de 25 pbs, com o FED decidido a ir em frente com a normalização das taxas de juros, apesar da falta de inflação. Porém, acreditamos que a cautela retornará em 2018 com a atividade dos gastos do consumidor permanecendo estáveis nos próximos trimestres.


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