Como a desvalorização da moeda chinesa atinge o Brasil

 

Fabio Silveira


Pela primeira vez, em 11 anos, a taxa de câmbio da China superou a marca de 7 yuans /  US$, no início deste mês. Sessenta dias antes, essa taxa girava em torno de 6,75 yuans / US$. A desvalorização da moeda chinesa ocorreu no contexto da guerra comercial que o gigante asiático trava com os EUA, sendo, claramente, uma represália à decisão do governo Donald Trump de impor tarifa adicional de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos importados da China, que atingiu, desta vez, bens de consumo que ficaram isentos em taxações anteriores.

Com a referida baixa do yuan, o governo de Pequim pretende fortalecer a competitividade de seus produtos industrializados, principalmente nos mercados dos EUA e Europa, o que preocupa Wall Street, pois, sabe-que um movimento persistente de desvalorização da moeda chinesa ao longo do tempo implicará em perda de dinamismo não apenas da indústria americana e europeia, mas também de grande parte da economia ocidental.

Até o momento (e antes dos impactos das recentes escaramuças entre americanos e chineses), já se previa que o PIB mundial de 2019 cresceria 3,2%, ou seja, menos do que no ano passado (3,6%). A partir de agora, todavia, são evidentes os sinais de que o desempenho econômico global será menos brilhante, já, inclusive, no corrente exercício. Além de inibir o dinamismo das principais potências (inclusive da própria China), teme-se que a medida adotada pelo governo de Pequim provoque, no médio prazo, uma guerra cambial entre Washington e Pequim, cujos efeitos mundiais seriam evidentemente bastante danosos.

Diante desse ambiente internacional conturbado, não há dúvida de que o desempenho da economia brasileira continuará sendo prejudicado, mesmo com a aprovação da Reforma da Previdência pelo Congresso Nacional. Isto porque, daqui para frente, a expectativa é que os investidores globais se tornem mais avessos ao risco representado por países emergentes, como é o caso do Brasil, procurando se proteger de incertezas mediante a compra de dólares ou ouro, que são ativos mais seguros.

É verdade que a interrupção da aquisição de grãos dos EUA pela China deve levar à intensificação da procura por produtos primários brasileiros. Por outro lado, o acirramento da disputa entre ambas as potências resultaria em declínio mais acentuado do PIB mundial e dos preços das commodities, anulando boa parte dessa vantagem de maior demanda por soja, milho e carnes do Brasil.

Nessas condições, nos próximos meses, a cotação média da moeda americana no Brasil deve permanecer sob pressão altista, consolidando-se no patamar médio de R$ 4,00 / US$, o que reforça a previsão de que o aumento do PIB brasileiro será da ordem de apenas 0,7%, em 2019; e de 2%, em 2020.

 

 PIB real – retrospectiva e projeção

        Fonte: FMI
(P) Projeção MacroSector Consultores

 

CRB Index – Evolução Mensal (US$)

 

Fonte: CRB (Commodity Research Bureau)
(P) Projeção MacroSector Consultores

Ritmo da automação têxtil deve aumentar

 

MacroSector Consultores


Assim como muitos setores da economia, as empresas têxteis do mundo têm investido fortemente na automação de suas plantas. Estimativas da Global QYResearch sugerem que a oferta dos vários produtos e serviços de automação da indústria têxtil global deve crescer a uma taxa média anual de 6% entre 2018 e 2025, liderada especialmente pelas empresas asiáticas.

Os governos do mundo têm adotado medidas no sentido de acelerar o desenvolvimento e o uso de tecnologias no setor têxtil. A Índia, por exemplo, um dos grandes países produtores de tecidos, aprovou lei permitindo que as indústrias têxteis com alto grau de automação tenham 100% de investimento estrangeiro.

Políticas deste gênero poderiam ajudar a indústria brasileira a acompanhar essa tendência mundial.

Fonte: Textile Focus [1]