Produção de veículos continua acelerada

Em novembro, a produção brasileira de autoveículos totalizou 249,0 mil unidades, aumentando 15,2% sobre o mesmo período de 2016. Desse modo, em doze meses, a produção do setor acumulou crescimento de 27,9%.

Esse desempenho excelente do setor tem sido sustentado pela expansão tanto de exportações, como de vendas domésticas. No mês passado, ambas evoluiram 28,7% e 15,2%, respectivamente, em comparação com novembro de 2016.

Apesar de o mercado externo representar apenas um terço do total das vendas da indústria automobilística, é seu grande dinamismo que explica a maior parte do expressivo avanço do setor em passado recente. Aliás, o extraordinário dinamismo das exportações tem contribuído também para a geração dos megasuperávits da balança comercial brasileira.

Quanto às vendas domésticas, estas têm se mostrado cada vez mais consistentes, em resposta à recuperação progressiva do crédito e dos salários, o que vem ajudando outros setores da economia a adquirir maior fôlego.

Nessas condições, a MacroSector Consultores projeta para a produção de autoveículos do país um crescimento de 28%, em 2017, atingindo 2,75 milhões de unidades; e de 15%, em 2018, alcançando 3,17 milhões de unidades.

Com o resultado estimado para este ano, a indústria automobilística brasileira deverá começar a reverter a derrocada verificada no triênio 2014-2016. E, se atingido o volume de produção previsto para 2018, haverá um retorno ao nível de 2014, mas ficando ainda bem abaixo do recorde de 2013.

 


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Tabela

Política de incentivo a biocombustíveis pode elevar preços, dizem analistas

Por Taís Hirata – Folha de São Paulo (14/12/2017)

A RenovaBio, programa de incentivo a biocombustíveis foi aprovado pelo Congresso nesta semana ainda sob dúvidas sobre seu impacto no preço dos combustíveis.

Partes dos analistas preveem um encarecimento.

O aumento ocorreria porque o programa cria metas de redução de emissão de carbono para as distribuidoras de combustíveis. Caso asa empresas não cumpram essas metas, precisarão comprar créditos de descarbonização – os chamados CBios -, que serão emitidos pelos produtores de biocombustível.

Esse custo adicional certamente será repassado ao consumidor, segundo Samuel Pessôa, economista da FGV e colunista da Folha.

Segundo estudos do Ministério de Minas e Energia, porém, não necessariamente haverá aumento de preço – e, caso ocorra, o impacto na inflação será de, no máximo, 0,6% em um prazo de dez anos, afirma o coordenador de biocombustíveis da pasta, Ricardo Gomide.

Para o órgão, que foi o principal articulador da nova política, há mais chance de haver uma redução dos preços do que uma alta – a probabilidade de queda seria de 70%, a depender da meta estabelecida às distribuidoras.

“Pode ter aumento (dos preços) por conta do repasse, mas a renda adicional que o crédito dá para os produtores de biocombustíveis reduzirá o preço do etanol. Uma coisa compensa a outra”, diz.

O argumento é que os produtores de etanol serão incentivados a ampliar a produtividade, o que implicará em uma diminuição do preço.

Isso porque a concessão dos créditos de descarbonização será dada de acordo com os ganhos de eficiência energética e ambiental do produtor, ou seja, quanto maior a produtividade, mais crédito ele ganha, e, como consequência, o preço cairá.

Além disso, a exigência das metas a serem cumpridas será gradual, para dar tempo de os produtores ampliarem sua produção e haver uma maior concorrência entre os agentes de mercado, diz Gomide.

Há, porém, ceticismo no mercado de que esses ganhos de fato ocorreriam e que não haverá impacto.

Para Fabio Silveira, sócio-diretor da consultoria Macrosector, não há dúvidas de que haverá uma elevação de preço de combustível.

“A melhora de bem-estar necessariamente vai ser convertida em um custo maior. Se vai ser de 3%, 5% ou 10%, ainda não dá para dizer”, afirma o economista.

Para ele, porém, o aumento se justificaria pelos ganhos ambientais da mudança. “Vai ter uma alta, mas por um produto de melhor qualidade. A sociedade vai preferir isso do que se envenenar com produtos tóxicos”, diz ele.

MODELO EM CHEQUE

Além disso, há questionamento em torno do modelo de créditos de carbono – um mecanismo muito mais complexo e custoso do que simplesmente transformar o Cide (tributo que incide sobre combustíveis) em um “imposto verde”, como tem defendido Samuel Pessôa.

“O Renovabio equivale ao Cide, mas com um custo de conformidade maior. Por que não fazer o simples?”, diz.

Para isso, seria preciso fazer mudanças no tributo, para que ele traga estímulo a todos os biocombustíveis, e não apenas o etanol, e para dar mais previsibilidade à taxa, que hoje poderia ser extinta, afirma o economista.

A polêmica em torno desse tipo de política de incentivo é global, segundo economista-chefe da Única (entidade da indústria de cana), Luciano Rodrigues.

“O imposto sobre o combustível fóssil é de fato mais fácil de implantar, mas não cria uma indução à eficiência. Outra vantagem do modelo de crédito de carbono é que os preços se ajustam automaticamente. Se o preço do petróleo sobe, não precisaria ter um imposto para dar competitividade ao biocombustível. Com o crédito, essa taxa varia segundo o mercado”.

 

Governo “ajudou” inflação a subir em novembro: majorando tarifas públicas e combustíveis

Em novembro, o IPCA subiu 0,28%, desacelerando seu ritmo de evolução em comparação com outubro (0,42%), porém, ganhando fôlego frente a novembro de 2016 (0,18%). Desse modo, nos últimos 12 meses, o índice registrou elevação acumulada de 2,80%, ficando abaixo do piso da meta para 2017 (3,0%).

Esse resultado deveu-se, principalmente, ao encarecimento de produtos e serviços dos grupos Habitação (+ 1,27%), Transportes (+ 0,52%) e Despesas Pessoais (+ 0,42%). No grupo Habitação, os itens que exibiram maior pressão altista foram energia elétrica residencial (+ 4,2%), taxa de água e esgoto (+ 1,3%) e gás de botijão (+ 1,5%). No grupo Transportes, os destaques de alta foram gasolina (+ 2,9%), etanol (+ 4,1%) e conserto de automóveis (+ 0,5%); E no grupo Despesas Pessoais, ocorreu incremento de preço de empregado doméstico (+ 0,5%), cabelereiro (+ 0,7%) e excursão (+ 1,4%).

Como se vê, no mês passado, o Governo “contribuiu positivamente” para a dinâmica inflacionária, majorando preços de tarifas públicas e combustíveis.

Em dezembro de 2017, estima-se que o IPCA terá aumento de 0,5%, acumulando em 12 meses um crescimento de 3,0%. Isto porque, nos próximos meses, haverá não apenas novas rodadas de encarecimento de combustíveis (gasolina e etanol), mas também aumento de preço de produtos agrícolas (entressafra da safra brasileira de grãos) e salários.

Assim, para 2018, a MacroSector projeta para o IPCA uma alta 4,5%, tendo em vista do cenário de: a) desvalorização da taxa média de câmbio – que no próximo ano deve atingir R$ 3,41 / US$, ou seja, ficar 6,7% acima da prevista para 2017 (R$ 3,20 / US$); b) redução do desemprego e da ociosidade da capacidade produtiva; c) diminuição da oferta interna de grãos; e d) maior predisposição ao acionamento de mecanismos de indexação de preços.

Nessas condições, em face desta previsão de alta da inflação, espera-se que o Copom mantenha os juros Selic no patamar de 7%, em sua próxima reunião, prevista para os dias 06 e 07 de fevereiro.  

 

IPCA – var. nos últimos 12 meses (preços livres x monitorados)

grafico ipca_dez

tabela ipca_dez