Tesouro Nacional: o resultado de outubro não foi tão ruim

 

Mas, ainda depende de receitas extraordinárias para atingir a meta de primário para 2017.

Por: Geraldo Biasoto


A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) divulgou seu acompanhamento do resultado das contas do governo central. Houve superávit de R$ 5,2 bilhões, mas a comparação com outubro de 2016 mostra uma piora muito expressiva, frente ao superávit de R$ 42 bilhões realizado naquele mês.

O resultado do mês influencia o acumulado de doze meses, indicador que vem sendo especialmente monitorado pelos analistas para prever os próximos dois meses para avaliar o cumprimento da meta de déficit anual de até R$ 159 bilhões.

No acumulado de doze meses encerrado em outubro de 2017, o resultado negativo atingiu R$ 207,3 bilhões. A STN sustenta que houve uma distorção sazonal, decorrente da uma decisão de pagar sentenças judiciais antecipadamente e a desconsideração desta antecipação de despesa geraria um déficit acumulado, em doze meses, de R$ 188 bilhões. Conquanto o ponto seja relevante, mesmo na segunda visão, a STN ainda está distante quase R$ 30 bilhões da meta para 2017.

A tabela abaixo mostra que o mês não foi tão ruim assim. Ajustando as receitas para eliminar os eventos episódicos de expansão da receita por programas de regularização e repatriação de capitais, o resultado de outubro de 2016 mostra-se deficitário em R$ 3,1 bilhões. O ajuste para outubro de 2017 foi muito menor: apenas R$ 5 bilhões.

Feitos os ajustes, o que chamamos de “resultado ajustado” de outubro de 2017 ficou em R$ 191 milhões, o que representa praticamente um equilíbrio das contas em seu conceito primário.

Do lado do gasto, é evidente que é visível o crescimento real da despesa, em quase todos os grandes grupos. Apenas as chamadas despesas discricionárias (o próprio custeio da máquina) estão fazendo o contraponto, com retração real de 7,7%. A sustentabilidade deste perfil de contenção do gasto é a maior dúvida sobre a política fiscal atual.

A corrida para reduzir o acumulado em doze meses em R$ 30 bilhões até dezembro ficará muito na dependência das receitas de outorgas de concessões. A expectativa é de que energia, petróleo e portos tragam R$ 26,1 bilhões aos cofres públicos até o final do ano.  Sem essa receita extraordinária, o cumprimento da meta fiscal é extremamente duvidoso.


IBC-Br confirma recuperação da economia brasileira, diz Carlos Cavalcanti

Em setembro, índice variou 2,0% na comparação interanual

Por: Carlos Cavalcanti


O índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br), livre de influências sazonais, apresentou variação de 2,0% na comparação entre setembro deste ano e o mesmo mês de 2016. O resultado superou as variações em meses anteriores, tomando-se a mesma base de comparação, e sinaliza para um crescimento mais forte da economia.

Em relação ao mês de agosto, o IBC-Br dessazonalizado exibiu alta de 0,4%, o que levou o índice a acumular variação de 0,6% no ano. No confronto em doze meses, o indicador do Banco Central ainda apresenta queda (-0,4%), embora em intensidade menor do que aquelas verificadas para os meses antecedentes.

A despeito da instabilidade que ainda se observa no desempenho mensal da produção da indústria, vendas do varejo e volume de serviços – indicadores que compõem a metodologia do IBC-Br – é nítido que, à medida que a taxa de inflação foi cedendo e com ela os juros básicos da economia (Selic), trazendo os juros reais para patamares “mais civilizados”, o nível de atividade veio se recuperando.

Com base em premissas que fundamentam melhora gradual, porém contínua, do cenário econômico, projetamos crescimento de 0,7% para este ano e de 2,2% para 2018.


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Minerva (BEEF3): empresa apresenta forte resultado no 3T17


Por: Catarina Pedrosa (*),

(*) Analista responsável pelo relatório.


A Minerva apresentou um resultado forte no 3T17, mas com margens um pouco mais apertadas em função da integração das unidades adquiridas da JBS. Acreditamos que este tenha sido o resultado mais forte do ano, apesar do período de entressafra, uma vez que os preços do boi gordo voltaram a subir. O terceiro trimestre foi caracterizado por preços da arroba mais baixos, uma vez que houve excesso de oferta como consequência dos problemas da JBS na Lava Jato. O bom momento no preço do boi gordo, e o aumento da demanda por conta da melhora da economia, fez com que a empresa reabrisse algumas unidades, aumentando ainda mais o volume de vendas no trimestre. Analistas são otimistas em relação aos resultados futuros da Minerva, que devem crescer com melhora de margem após a integração das unidades do Mercosul adquiridas da JBS. Por outro lado, nossa expectativa é de que a receita tenha crescimentos menos expressivos, uma vez que não esperamos desvalorizações significativas do real. De acordo com nossas contas, as ações da Minerva (BEEF3) teriam um potencial de valorização de mais 20%.

A receita bruta da Minerva teve um crescimento de 35,8% em relação ao 3T16 principalmente em função de vendas domésticas maiores em 43,8% proveniente da venda de produtos de terceiros no conceito one stop shop. Essas vendas tiveram alta de 103,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. As exportações consolidadas aumentaram em 30,6% no mesmo período. O EBITDA do 3T17 de R$ 311,8 milhões é uma alta de 25,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem EBITDA no trimestre de 9,1% foi menor que a do 3T16, de 9,8%. De um lado, a estabilidade no preço médio da arroba no mercado brasileiro, com melhora nas vendas e preços médios, elevou as margens das plantas no país. Do outro lado, o preço da arroba tanto no Paraguai como no Uruguai tiveram altas no 3T17 reduzindo a margem. Somado a isso, temos a entrada das plantas adquiridas da JBS que operaram a margens em torno de 5,5%, principalmente por conta de despesas administrativas. Acreditamos que a empresa volte a apresentar melhora de margens, quando as unidades adquiridas passarem a operar em linha com as unidades existentes. Além disso, deve haver redução de alguns custos administrativos com os ganhos de sinergia que a aquisição deve propiciar. No terceiro trimestre, desconsiderando os recursos utilizados na aquisição das unidades da JBS, a Minerva apresentou fluxo de caixa positivo, devendo terminar o ano com uma geração, antes de Capex, em torno de R$250 mn, segundo nossos cálculos.


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A Minerva realizará uma teleconferência para discutir os resultados do trimestre hoje, às 14:00hs, pelo telefone+55 (11) 2188-0400.


DISCLAIMER

Declaração do (s) analista(s) de valores imobiliários (de investimento), nos termos do art. 17 da ICVM 483:

O responsável pelo relatório acima, mencionado no final do artigo, é um analista de investimento certificado pelo CNPI e o responsável principal pelo conteúdo do relatório, conforme disposto na ICVM483/2010, artigo 16, parágrafo único, e as recomendações publicadas aqui neste relatório da MacroSector Consultores refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, sendo elaboradas de forma independente.

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