Indústria de confecção se mantém estagnada na África

Texto elaborado por MacroSector Consultores


A competitividade da indústria africana de produtos têxteis e confecções é de tal modo restrita, devido ao tímido avanço tecnológico e à falta de investimentos, que o setor tem grande dificuldade de concorrer até com instituições que fazem doações de roupas usadas para aqueles países.

O fato é que os produtores africanos não têm conseguido agregar valor às fibras ao longo da cadeia de suprimento, como no caso, entre outras matérias-primas, do algodão cru, em que o continente exporta grande quantidade, mas que é pouco vendido à indústria têxtil local.

Segundo Sun Ruizhe, vice-presidente do Conselho Nacional de Têxteis e Confecções da China, para desenvolver a indústria no continente será necessário haver maior integração vertical da cadeia de produção e um alinhamento com as tendências do mercado, em constante transformação, adaptando-se a cada nicho.

A África tem boas condições para se inserir competitivamente no mundo têxtil, mas sua indústria depende de mais investimentos em automatização e em infraestrutura de comunicação, para ampliar o comércio eletrônico, em particular.

Fonte: Just-Style [1]

[1] Para maiores informações, ver:

https://www.just-style.com/analysis/technology-inertia-is-stalling-africas-clothing-industry_id134494.aspx

Reino Unido é o maior consumidor de roupas da Europa

Texto elaborado por MacroSector Consultores


Segundo a Associação de Reciclagem de Têxteis do Reino Unido, os britânicos usam 26,7 kg per capita de roupas novas por ano, seguidos pelos alemães, que consomem 16,7 kg; e pelos dinamarqueses, com 16,0 kg.

Para Peter Andrews, chefe de sustentabilidade do Consórcio Britânico de Varejo, o aumento do consumo de roupas, provocado pelo crescimento da população, gera atualmente menos impacto ambiental que no passado, devido às estratégias adotadas pela indústria, que privilegiam o emprego de matérias-primas sustentáveis, a fabricação de peças mais duráveis e a doação de roupas usadas.

“Sabemos o que mais precisa ser feito. Como a produção de roupas se desenvolve em um mercado globalizado, as melhores soluções para diminuir o impacto socioambiental dependerão da colaboração entre os países”, afirma Andrews.

Fonte: The Scotsman [1]

[1] Para maiores informações, ver:

https://www.scotsman.com/business/companies/retail/uk-consumes-clothes-at-fastest-rate-in-europe-1-4810182

ALTA DO DÓLAR REFLETE INSEGURANÇA DA ECONOMIA

 

Entrevista com Fábio Silveira para Agemt Puc-SP


As perspectivas para o dólar no Brasil não são animadoras. A combinação entre a instabilidade política e econômica e os fatores de insegurança no cenário internacional fazem com que a moeda americana continue em alta. “Em 2019, o dólar médio deverá subir 6,8% em comparação com 2018, atingindo a marca de R$ 3,90”, diz o economista e sócio-diretor da MacroSector Consultores, Fábio Silveira.

A alta do dólar no Brasil se deve a diversos fatores internos e externos que impactam a economia de maneira geral. Internamente, o cenário político e econômico está passando por uma fase muito complexa com as dúvidas em relação à aprovação da reforma da Previdência, considerada fundamental para o equilíbrio das contas públicas. Como explica Silveira, “temos um quadro fiscal grave no país, porque as receitas públicas não estão sendo suficientes para fazer face às despesas públicas, o que gera muita tensão, porque implica mais adiante o temor de que a União e os estados não sejam capazes de honrar seus compromissos no médio e longo prazo, gerando uma tensão no ambiente internacional junto aos financiadores do Estado brasileiro”.

O Relatório Focus divulgado pelo Banco Central na segunda-feira 6 de maio mostra uma redução na projeção do crescimento econômico. A estimativa para o PIB caiu de 1,70% para 1,49% este ano. E, para 2020, a projeção permaneceu estável em 2,50%. A previsão para cotação do dólar é de R$ 3,75 este ano e R$ 3,80 para o ano que vem.

No cenário internacional, a desaceleração da economia americana gera incertezas. Esse tipo de dúvida faz com que os investidores internacionais busquem segurança no dólar, diminuindo o investimento em ativos arriscados e redirecionando os fluxos de capitais. Com isso, as economias emergentes experimentam uma saída de capital líquido. Outro fator é a possível queda dos juros americanos, como explica Silveira. “Quando os juros caem, a remuneração em cima dos títulos públicos diminui, isso gera dúvida entre os investidores internacionais, e nesses casos eles correm para o dólar atrás de liquidez.”

O “World Economic Outlook”, relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) que retrata a economia mundial no contexto de curto e médio prazo, divulgado em abril de 2019 , indica que o crescimento global ficou mais fraco. O relatório prevê que o crescimento global diminua de 3,6% em 2018 para 3,3% em 2019, antes de retornar a 3,6% em 2020. Parte desse efeito negativo se deve à guerra comercial entre a China e os Estados Unidos, que teve início em 2018.

Gráfico do valor do dólar em real (outubro de 2018 até março de 2019)

Apesar de a reforma da Previdência ser considerada importante para o ajuste das contas públicas do país, ela não é suficiente para solucionar a questão econômica e atrair investimentos. De acordo com Silveira, a reforma é necessária, pois quem pensa em colocar dinheiro no país quer saber como estarão as contas públicas no horizonte de dois a quatro anos. “Se houver a reforma da Previdência e se tiver uma boa aceitação por parte da opinião pública, isso vai melhorar o humor do resto do mundo e do investidor brasileiro em relação ao futuro das contas públicas”, diz.

No entanto, segundo Silveira, o fato de ter contas públicas ajustadas não necessariamente atrai investidores internacionais. Por mais que a competitividade do Brasil melhore, é preciso que o mercado doméstico mostre que é capaz de crescer ou que tem potencial de crescimento em seus vários segmentos como agricultura, serviços e indústria. “É um pouco fantasiosa a ideia de que, aprovando a reforma, as contas públicas estarão em ordem e o pessoal vai despejar recursos automaticamente no país. Não é assim que a banda toca”, completa o economista.

Para Silveira, a economia deve crescer pouco este ano, entre 1,5% e 1,8%. Além dos baixos investimentos nos últimos três anos, houve também uma queda expressiva na arrecadação, no nível de atividade, na indústria, no serviço e no varejo. Ele explica que um país só cresce quando se tem firmeza nos investimentos ocorridos no passado e uma boa dose de otimismo em relação aos investimentos que vão ocorrer nos próximos anos.

“Por mais que a gente queira ter uma visão otimista, as coisas não se resolvem facilmente. Então tem que ter muita cautela em relação ao que vem pela frente,o país precisaria crescer pelo menos 3% para gerar uma situação de maior otimismo, de melhora de investimentos, da confiança dos consumidores e empresários. Ainda estamos distantes disso, infelizmente”, completa Silveira.

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MacroSector Consultores prevê queda de 2,3% no PIB do agronegócio em 2019

Entrevista de Fabio Silveira para Broadcast Agro


O agronegócio brasileiro deverá registrar neste ano uma queda no seu Produto Interno Bruto (PIB) da ordem de 2,28% na comparação com o ano anterior, passando de US$ 394 bilhões para US$ 385 bilhões.

Segundo o sócio-diretor da Macrosector Consultores, Fábio Silveira, responsável pelos cálculos, a queda será determinada pelo item Lavouras que deverá ter queda de 3% a 4% em suas receitas, em termos reais, ante crescimento de 4% em 2018, pelo mesmo critério.

No ano passado, segundo Silveira, o item Lavouras havia crescido 7,6% em termos nominais. Neste ano a previsão é de um crescimento de apenas 0,51%, passando de R$ 388 bilhões para R$ 390 bilhões – para as lavouras a Macrosector prefere fazer os cálculos pela moeda local.

Ainda dentro do grupo Lavouras, o prejuízo maior para o PIB do setor virá da queda de 10% em termos reais na receita com as vendas brasileiras de soja e de 15% em termos nominais.

A diminuição da receita com soja se dará pela menor produção, de 117,8 milhões de toneladas na safra anterior para 113 milhões de toneladas na safra atual e pela redução prevista de 4% a 5% no preço do grão no mercado internacional provocada pelo arrefecimento das economias americana, chinesa e europeia.

“Com o esfriamento das economias nos EUA, Europa e China, o nível dos estoques mundiais vão permanecer praticamente estáveis em 2019”, disse Silveira ao Broadcast.

O mesmo se aplica para outros produtos agrícolas de exportação como o café, cuja receita deve despencar 20,6% de 2018 para 2019, de R$ 20,4 bilhões para R$ 16,2 bilhões. A produção do café neste ano, segundo o diretor da Macrosector, deverá cair de 3,6 milhões de toneladas para 3,2 milhões.

“Dos principais itens globais, o único produto agrícola que teve redução de estoques no mundo é o milho”, afirmou Silveira. Mas mesmo assim, segundo o analista, o bom desempenho do milho não tem força suficiente para compensar a queda de receita das demais agrícolas e a migração dos grandes fundos de investimentos dos negócios com commodities agrícolas para os negócios com petróleo.

PIB Agregado
Silveira alertou para o fato de que quando a renda agrícola perde força a economia toda padece. Isso porque o setor responde por 20% do PIB agregado. “Por isso estamos mantendo nossa projeção de crescimento do PIB para este ano em 1,50%, achando que o mais provável é que ele encerre o ano entre 1,4% e 1,3%”, previu Silveira.

O analista disse que até chegou a alimentar alguma esperança de que, com o dólar flertando com os R$ 4,00, algum setor fosse arrastado para um crescimento pouco mais robusto em 2019. “Mas está difícil vislumbrar uma força que puxe algum crescimento já que na América Latina, especialmente na Argentina, a economia não anda bem”, concluiu Silveira.